Seguidores

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Heráldica Real francesa: os forros das coroas / French Royal Heraldry: Crown Liners



Fieis Leitores deste Blog de Cavalaria, após um merecido descanso de início de ano, volto a vos entediar com mais postagens, desta vez, dedicada a um tema de grande importância para os heraldistas: qual a cor correta do forro da coroa real francesa? 

Existe aí uma grande confusão que instalou-se na heráldica atual, pós vetores, onde tentam-se colocar, buscando uma certa "verdade histórica", os forros heráldicos nas mesmas cores dos forros das coroas físicas dos antigos monarcas... Assim, como a coroa imperial do Brasil teve sempre forro verde, coloca-se na versão heráldica o mesmo forro verde; e na francesa, como a cor do manto real sempre foi azul, tenta-se colocar também um forro azul. Todavia, tais heraldistas não poderiam estar mais enganados...

Uma das mais antigas regras heráldicas é que, independente da cor física do forro de uma coroa real, heraldicamente, este SEMPRE SERÁ REPRESENTADO EM VERMELHO. Vejamos o caso da Coroa de Santo Eduardo: o forro da mesma é um tom de azul escuro, quase lilás... todavia, heraldicamente a coroa real do Reino-Unido sempre foi e sempre será representada forrada de vermelho, não de azul.

O mesmo ocorre na coroa real francesa, porém, ainda com maior gravidade, como veremos a seguir. No Antigo Regime, cada um dos Reis da França usava uma coroa própria, que era feita para si, para assim evitarem o uso da chamada "Coroa de São Luís" (a mesma coroa utilizada pelo Bem-Aventurado Carlos Magno), que era assim sempre protegida. Essas coroas reais seguiam quase sempre um mesmo padrão: um aro de ouro, coberto de pedras preciosas, do qual saia oito flores-de-lis, sobre as quais saiam os oito diademas, que se uniam ao centro segurando um orbe, que sustentava uma flor-de-lis (representando a Beatíssima e Sempre Virgem Maria). 

De todas dezenas de coroas dos antigos Reis da França, apenas "sobreviveu" aos terríveis dias da Revolução Francesa, a Coroa de Louis XV. Desta forma, como a única "sobrevivente", a Coroa de Louis XV tornou-se o protótipo único da Coroa Real Francesa, isso até que a Monarquia na França seja restaurada, e o Rei tenha uma nova coroa...

Esta é a coroa de Louis XV:


Este é o forro físico da Coroa de Louis XV:

Como bem podemos ver, o forro da coroa real francesa era VERMELHO, então, de onde surgiu essa obsessão MODERNA, de afirmar que o forro seria azul?! 

Poucas imagens coloridas restaram os brasões utilizados pelos Reis Franceses durante o Antigo Regime, porém, das poucas que sobraram, sempre poderemos ver uma coisa: todas mostram a coroa real francesa forrada de VERMELHO, ou sem forro algum:

Grandes Armas do Rei Louis XVIII, com a coroa obviamente forrada de vermelho
Estandarte Real de Louis XIV, com a coroa real também (e como sempre) forrada de vemelho

Tapeçaria real com o brasão real francês, dos tempos de Louis XVI, com a coroa real forrada de vermelho
Brasão dos tempos de Louis XIV, representando França e Navarra, com a coroa real sem forro algum (mas nunca azul...)
Estandarte Real, com a coroa sempre forrada de vermelho (clique para ampliar)

Propaganda Legitimista Francesa (tendo ao centro Sua Majestade o Rei Henri V, Conde de Chambord), com o brasão real timbrado pela coroa, obviamente forrada de vermelho (clique para ampliar)

Drapeado dos Dragões Reais, durante a Restauração da Monarquia (1815-1830), com a coroa real forrada de vermelho (clique para ampliar)


Bem comprovado como historicamente falando, tanto as coroas físicas de França, como suas representações heráldicas, sempre foram forradas de vermelho, daremos agora uma breve explicação do uso dos forros na armaria real francesa, e nos casos em que sim, algumas coroas de infantes são representadas forradas de azul:

O vermelho, reconhecido na heráldica mundial como a cor majestática das coroas, estava assim reservada na França para o Rei e sua esposa, bem como para aqueles que, pelo direito da primogenitura segundo a Lei Sálica, eram tidos como "rei em espera", ou seja, o Delfim, seu filho mais velho, intitulado Duque da Borgonha, e o filho mais velho deste, que recebia o título de Duque da Bretanha, bem como as suas consortes. Eram então essas as pessoas que, em França, recebiam o forro vermelho nas coroas. Todos os demais príncipes franceses, quer fossem Filhos da França, quer fossem Príncipes de Sangue, tinham a coroa forrada de azul.

Vejamos exemplos práticos, na atual Família Real da França:

Representação heráldica da Coroa de Sua Majestade Cristinaíssima o Rei da França (ou de Sua Alteza Real o Duque de Anjou, Chefe da Casa Real da França)

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Louis XX de Bourbon, Duque de Anjou, Chefe da Casa Real da França. 

Representação heráldica da coroa de Sua Majestade a Rainha da França (ou da Consorte do Chefe da Casa Real da França, a Duquesa de Anjou)

Brasão de Armas de Sua Alteza Real a Duquesa Consorte de Anjou, por direito de seu esposo, Rainha Consorte da França

Representação heráldica da coroa do Delfim da França

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Louis de Bourbon, Delfim da França

Agora suponhamos que Sua Alteza Real o Delfim já tivesse um filho, que seria então intitulado como Sua Alteza Real o Duque de Borgonha, e que este também, por sua vez, já tivesse um filho, que receberia o título de Duque da Bretanha. Estes seriam os seus brasões:

Representação heráldica da coroa dos Filhos da França, sucessores diretos do Delfim em sua especial condição de "rei em espera" (os Duques da Borgonha e da Bretanha)


Brasão de Armas que cabe ao Duque da Borgonha, filho mais velho, e sucessor, do Delfim da França

Brasão de Armas que cabe ao Duque da Bretanha, filho mais velho, e sucessor, do Duque da Borgonha

Estes são os casos em que utilizam-se forros vermelhos nas coroas da Família Real da França. Os demais príncipes, como visto acima, utilizam sempre o forro azul, pois não tem as pretensões de "rei em espera".

Representação heráldica da coroa dos Filhos da França


Brasão de Sua Alteza Real o Príncipe Alfonso de Bourbon, Duque de Berry e Filho da França
(segundogênito masculino de Sua Alteza Real o Duque de Anjou)

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Henri de Jesus de Bourbon, Duque de Tourraine e Filho da França
(tercerogênito masculino de Sua Alteza Real o Duque de Anjou).

São estes os Príncipes franceses que, na atualidade, possuem a categoria de Filhos da França. Mas para além deles, a linha de sucessão da Casa Real Francesa tem mais de 100 nomes, todos eles com a categoria de Príncipes de Sangue da França, Para exemplificarmos a coroa destes, mostraremos aqui os brasões do Duque de Orléans, e de seu filho mais velho, o Duque de Chartres, ambos Príncipes de Sangue da França:

Representação heráldica da coroa dos Príncipes de Sangue


Brasão de Armas de Sua Alteza o Príncipe Jean d'Orléans, Duque de Orléans, Príncipe de Sangue

Brasão de Armas de Sua Alteza o Príncipe Gaston d'Orléans, Duque de Chartres, Príncipe de Sangue

Para citação no Brasil (ABNT), usar:
PRINZ VON TRIVULZIO-GALLI, Andre. Heráldica Real Francesa: os forros das coroas, Blog de Cavalaria. 2019. Disponível em:https://www.blogdecavalaria.com/2019/02/heraldica-real-francesa-os-forros-das.html acessado em (especificar a data do acesso ao site).

sábado, 22 de dezembro de 2018

CHRISTMAS MESSAGE


CHRISTMAS MESSAGE FROM
HIS SERENE HIGHNESS THE PRINCE ANDRE III TRIVULZIO-GALLI
14th PRINCE OF MESOLCINA AND THE SACRED ROMAN-GERMANIC EMPIRE, CHIEF OF THE PRINCELY HOUSE OF MESOLCINA


Once again we are approaching the Christmas Season, at which time, the first candle of the Advent wreath has already been lit. At this time, we must give a retrospect of how we have spent another year, and how our hearts are prepared for the arrival of Our Lord Jesus Christ.

Unlike in most countries, in Mesolcina (and almost all of Switzerland), we did not expect the arrival of "Santa Claus" on a sleigh, but the call of Samichlaus (St. Nicholas), mounted on a small little donkey, arriving on January 6, accompanied by another characteristic figure, the Schmutzli, figure "sinister" that accompanies St. Nicholas everywhere.

These two figures, so different but at the same time so inseparable, remind us of our difficult road to Salvation. For to those children who were good and well behaved during the course of the year, Samichlaus will give some oranges (yellow with their green leaves, eternal remembrance of the Trivulzian Dynasty), oranges that sometimes can be accompanied by nuts or peanuts; but to those children who were bad and behaved poorly, they receive from the Schmutzli a "warning" that when the Child Jesus calls them, they may not be on the side of Heaven, but accompany them to purgatory or eternal damnation.

In this scenario, neither Samichlaus nor Schmutzli bring real gifts to the children ... but then, who brings them? Parents always teach that gifts are left on the night of the 24th by the Baby Jesus. Many might ask, if it would not be more coherent then would the Magi bring the gifts? Not really, because Salvation was brought into the world as an undeserved gift brought by Our Lord.

This interesting childlike analogy of Christmas in the Valleys of Mesolcina is also very useful for us adults. When we are called to the Presence of our Lord Jesus Christ, are we prepared for salvation?
May we use this Advent period to prepare our hearts, so that we may receive Our Lord Jesus Christ in the most correct and Christian way.

A merry and holy Christmas to all.

MENSAGEM DE NATAL


MENSAGEM DE NATAL DE
SUA ALTEZA SERENÍSSIMA O PRÍNCIPE ANDRE III TRIVULZIO-GALLI
14º PRÍNCIPE DE MESOLCINA E DO SACRO IMPÉRIO ROMANO-GERMÂNICO, CHEFE DA CASA PRINCIPESCA DE MESOLCINA

Novamente aproximamo-nos do Tempo do Natal, nessa época, em que as primeiras velas da coroa do Advento já foram acesas, devemos fazer uma retrospecção de como passamos mais um ano, e de como nossos corações estão preparados para a chegada de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Diferente do que ocorre na maioria dos países, em Mesolcina (e em quase toda a Suíça), nessa época não esperamos a chegada do “Papai Noel” em um trenó, e sim a chamada de Samichlaus (São Nicolau), montado em um pequeno burrinho, que vêm no dia 06 de janeiro, acompanhado de uma outra figura característica, o Schmutzli, figura “sinistra” que acompanha São Nicolau em todos os lugares.

Essas duas figuras, tão diferentes porém ao mesmo tempo tão inseparáveis, nos lembram o nosso difícil caminho até a Salvação, pois, àquelas crianças que foram boas e bem comportadas no correr do ano, recebem de Samichlaus algumas laranjas (amarelas, com suas folhas verdes, eterna lembrança da Dinastia Trivulziana), laranjas essas que por vezes podem ser acompanhadas de nozes ou amendoins; porém àquelas crianças que foram más, recebem do Schmutzli uma “advertência”, de que quando o Menino Jesus as chamar, poderão não estar do lado do Céu, mas sim o acompanhar ao purgatório, ou ainda a danação eterna.

Nesse cenário, nem Samichlaus, muito menos o Schmutzli trazem presentes de verdade para as crianças... mas então, quem os trás? Os pais sempre ensinam que os presentes são deixados, na noite do dia 24, pelo Menino Jesus. Muitos poderiam perguntar, se não seria mais coerente então que fossem os Reis Magos a trazer os presentes? Na verdade não, pois a Salvação foi trazida ao mundo como um imerecido presente trazido por Nosso Senhor.

Essa interessante analogia infantil do Natal nos Vales de Mesolcina, é muito útil também para nós, adultos. Quando formos chamados à Presença de Nosso Senhor Jesus Cristo, estaremos preparados para a Salvação?

Que utilizemos esse período do Advento para prepararmos os nossos corações, e assim podermos receber Nosso Senhor Jesus Cristo da forma mais correta e Cristã.

Um feliz e Santo Natal a todos.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Brasões de Armas da Casa Real da Prússia / Coat of Armas of the Royal House of Prussia

Por Sua Alteza Sereníssima o Príncipe Andre Fürst von Trivulzio-Galli, 14º Príncipe de Mesolcina, de Trivulzio-Galli e do Sacro Império Romano-Germânico.



Hoje, Fieis Leitores do Blog de Cavalaria, falarei acerca dos brasões de Armas da Linha da Suábia da Dinastia dos Hohenzollern, ou seja, a Casa Real Prussiana, que também foi o lar dos Imperadores Alemães após a "unificação alemã" em 1871.

De início, vale-se lembrar, que o Stammwappen (brasão de raiz) da Casa de Hohenzollern é um simples esquartelado, I de prata, II de sabe, e assim nos contrários. Depois acrescentou-se como timbre uma cabeça e dorso caninos, no mesmo padrão heráldico. 

Com o tempo a Casa de Hohenzollern dividiu-se em duas linhas principais, a Linha da Suábia (da qual descendem os Reis da Prússia) e a Linha da Francônia (da qual descendem os Príncipes Titulares de Hohenzollern). 

A Linha da Francônia sempre manteve o mesmo brasão esquartelado, apenas com algumas modificações posteriores (porém desse tema falaremos em outra ocasião), todavia, a Linha da Suábia adotou com o tempo novas Armas.

Quando em 1192 Frederico III, Conde de Zollern tornou-se Conde de Nürnberg, adotou o nome de Frederico I de Nürnberg, adotou como brasão um campo de ouro com um leão rompante de sable, e bordadura de goles e prata. Mais tarde, com a morte de seu descendente Frederico V de Nürnberg em 1397, suas terras foram divididas entre seus filhos. Aqueles que herdaram o Margraviato (Marquesado) de Brandemburgo, adotaram como armas um campo de prata, com uma águia de goles (Armas de Brandemburgo), e colocaram sobre ela um escudete de blau com um cetro de ouro, em razão de serem Príncipes-Eleitores do Sacro Império. 


Mais tarde, quando Alberto de Brandemburgo-Ansbach, 37º Grão-Mestre da Ordem Teutônica, converte-se ao luteranismo, consegue adquirir para si, como possessão pessoal, parte dos Estados da Ordem Teutônica. Esse território não estava dentro dos limites do Sacro Império, mas era uma vassalagem do Reino da Polônia, e foi chamado de Ducado da Prússia. 

Alberto I da Prússia quis manter as mesmas Armas de Brandemburgo, mas isso não foi permitido pelo Rei da Polônia, uma vez que Brandemburgo era um Eleitorado Imperial, mas a Prússia era polonesa. Assim criaram-se novas Armas: manteve-se a águia, porém de cor negra sobre fundo branco (cores da Ordem Teutônica), e o Rei Sigismundo I da Polônia (chamado de "O Velho") impôs sobre ela um escudete vermelho com um "S" de ouro.


Tais Armas para a Prússia não agradaram aos Duques, que pretenderam, sem sucesso, remover o "S" de Sigismundo do peito da águia. Dessa forma, os Duques da Prússia mantiveram sua Capital em Berlim, que era a Capital do Margraviado de Brandemburgo, e mantiveram como Armas principais aquela da águia vermelha de Brandemburgo, não a águia preta prussiana. 

Essa situação manteve-se até 1701, quando Frederico III, Duque da Prússia obteve autorização Imperial para se auto-corar Rei, no episódio chamado de "Rei na Prússia" (pode ser lido a postagem própria sobre o tema clicando aqui). Quando Frederico, sob o título de Frederico I, tornou-se Rei na Prússia (título após modificado para Rei da Prússia) modificou novamente seu brasão, removendo para sempre o S de Sigismundo, e colocando o "FR" (para Fredericus Rex) no lugar. 


Esse brasão de Armas foi apenas modificado depois, com a adição de um cetro e um orbi às patas da águia (como visto acima) naquele que ficou sendo sempre conhecido como Brasão do Reino da Prússia. Frederico I passou a utilizar as Armas Prussianas como suas Armas principais, e para as honrar, criou uma Ordem de Cavalaria estilo Ordem de Colar, chamada de Ordem da Águia Negra, a mais alta condecoração prussiana. 

Em 1871, como visto acima, a Casa Real da Prússia tornou-se a principal Casa da Alemanha, após o afastamento semi-voluntário da Casa Imperial da Áustria dos assuntos alemães. Assim modicou-se pela última vez as Armas prussianas: no lugar do FR, no intento de resgatar as origens da Casa da Prússia enquanto ramo principal da antiga Dinastia Hohenzollern, colocou-se um escudete esquartelado, I de prata, II de negro, e assim nos contrários. 

Como não houveram disposições que alterassem outra vez o brasão da Prússia, é de se concluir que, até nossos dias, é o escudete, não o FR, que está no peito da águia prussiana.

Com a Coroação do Rei Guilherme I da Prússia como Imperador Alemão (não da Alemanha) o escudo da Prússia foi colocado sob uma águia de sable em campo de ouro (antigas Armas do Sacro Império, agora consideradas Armas da Alemanha).

Brasões da atual família Real

O atual Chefe da Casa Real é o Príncipe Georg Friedrich Prinz von Preussen, Duque da Prússia e Chefe da Casa Real Prussiana e Imperial Alemã.

Armas de Sua Alteza Imperial & Real o Chefe da Casa Real da Prússia, e Imperial da Alemanha, com o escudo alemão e sobre ele as Armas Prussianas, com o manto amarelo da Alemanha, e ao redor do escudo o Colar da Ordem da Águia Negra.

Brasão de Armas de Sua Alteza Imperial & Real a Princesa Sophie, Consorte do Chefe da Casa, nascida Princesa von Isenburg

Brasão de Armas de Sua Alteza Imperial & Real o Príncipe Herdeiro da Prússia e da Alemanha (Príncipe Carl Friedrich)

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Ferdinand Christian da Prússia, segundo filho do Chefe da Casa Real


Brasão de Armas sugeridas para Sua Alteza Real o Príncipe Henrich Albert da Prússia, terceiro filho do Chefe da Casa Real

Brasão de Armas de Sua Alteza Real a Princesa Emma Marie, filha dos Chefes da Casa Real.

*Apenas o Chefe da Casa Real, sua esposa e o Príncipe Herdeiro recebem o tratamento de Imperial & Real, por serem intitulados "da Alemanha", os demais recebem o tratamento de Altezas Reais por serem intitulados apenas "da Prússia".

Para citação no Brasil (ABNT), usar:
PRINZ VON TRIVULZIO-GALLI, Andre. Brasões de Armas da Casa Real da Prússia, Blog de Cavalaria. 2018. Disponível em: https://www.blogdecavalaria.com/2018/11/brasoes-de-armas-da-casa-real-da.html acessado em (especificar a data do acesso ao site).

sábado, 29 de setembro de 2018

Brasões de Armas dos Duques de Alba / The Coat of arms of the Dukes of Alba



Uma das mais nobres e ilustres Dinastias da alta aristocracia espanhola é aquela da Casa de Alba. Seu título Ducal foi criado no ano de 1472, como elevação do Condado de Alba de Tormes, título este criado em 1439, já como elevação do Senhorio de Alba de Tormes, criado em 1430. A Dinastia teve início em 1429, quando o Rei Juan II de Castela concedeu a vila de Alba de Tormes a Dom Gutierre Álvares de Toledo, Arcebispo de Sevilha, Bispo de Palencia e Primaz de Toledo. Dom Gutierre cedeu sua Senhoria a seu sobrinho, Don Fernando Álvares de Toledo y Sarmiento, que teve a Senhoria elevada a Condado.

Foi o filho de Don Fernando Álvares de Toledo, Don García Álvares de Toledo y Carrilo de Toledo que inicialmente foi II Conde de Alba de Tormes, que teve o seu Condado elevado a Ducado de Alba de Tormes pelo Rei Enrique IV de Castela. 

Brasão do I e do II Duque de Alba de Tormes

O I Duque de Alba utilizou como brasão aquele que foi imortalizado com o nome de "Armas dos Álvares de Toledo", isso é, um enxadrezado de 15 peças de prata e de blau (8 de prata e 7 de blau). Ao redor do escudo foram colocadas 9 bandeiras mouras (4 em cada bordo e uma em campanha), e sobre o escudo a coroa ducal.

O II Duque de Alba de Tormes, Don Fadrique Álvares de Toledo y Enríquez de Quiñones, não alterou em nada o brasão paterno. Seu filho mais velho, Don García Álvares de Toledo y Zúñiga, intitulado III Marquês de Coria, morreu antes de receber o Condado, todavia seu filho, Don Fernando Álvares de Toledo y Pimentel sucedeu no título do avô como III Duque de Alba, e por seus grandes feitos militares, foi apelidado de "O Grão-Duque de Alba", recebendo a Ordem do Tosão de Ouro.

Brasão do III Duque de Alba

O III Duque de Alba adicionou a seu brasão um timbre, sendo este um anjo alado de prata, com um tabardo com o exadrezado dos Álvares de Toledo, e tendo em uma mão um órbi e na outra uma espada. Adicionou ainda um lema em forma de grito de armas, com os dizeres TU IN EA ET EGO PRO EA, que quer dizer TU [Deus] NELA (Espanha) E EU POR ELA (pela Espanha). 

Armas do 5º Duque de Alba
A partir do 5º Duque de Alba, Don Antonio Álvares de Toledo y Beaumont, somaram-se abaixo do escudo dois braços armadas, com espadas na mão, e vestidos com o tabardo das Armas do Reino de Navarra. Isso deu-se pelo fato do 5º Duque ter recebido, por herança materna o Condado de Lerín, e junto deste Condado o título de Condestável de Navarra.


Brasão do 7º Duque de Alba

Apesar de crermos que os Duques que sucederam ao "Grão-Duque" de Alba, terem modificado o brasão, apenas temos certeza dessa modificação no 7º Duque de Alba, Don Antonio Álvares de Toledo Beaumont y Enríquez de Ribera, que, segundo o que consta Juan Felix Francisco de Rivarola y Pineda, heraldista e autor do livro "Monarquia Española: blason de su Nobleza", escrito em 1736; na página 81 ele nos conta que o 7º Duque utilizou as seguintes Armas:

Escudo esquartelado, I de Álvares de Toledo, II de Beaumont, III de Enríquez, IV de Ribera, sobre-o-todo escudete de blau com cinco flores-de-lis de ouro postas em aspa. 

Brasão do 10º Duque de Alba

Com o 10º Duque de Alba o brasão se modificará novamente, passará a ser esquartelado, I e IV de Álvares de Toledo, II e III de Beaumont; sobre-o-todo um escudete partido, 1º de Enríquez, 2º de Ribera (pelo título de Marquês de Villanueva del Río), e sobre ele, um escudete de blau carregado de 5 flores-de-lis de ouro em aspa, posto em abismo. Como o Duque fora Bailio-Cavaleiro do Grão-Colar da Sacra Ordem Dinástica, Equestre, Militar e Hospitalar da Milícia de Jesus Cristo e de Santa Maria Gloriosa (Ordem Militar de Santa Maria), este utilizou o Grão-Colar daquela Ordem ao redor de seu escudo. 

O 10º Duque não teve filhos varões, e fora sucedido por sua filha, Dona Maria Teresa Álvares de Toledo y Haro, 11º Duquesa de Alba, que casou-se com Manuel Maria José de Silva Mendoza y Cerda, 10º Conde de Galve. A partir deste casamento, a varonia da Casa de Alba deixou de ser ÁLVARES DE TOLEDO, e passou a ser SILVA.

Fora o 12º Duque de Alba Don Fernando de Silva y Álvares de Toledo, que utilizou as seguintes Armas:

Armas do 12º Duque de Alba

Escudo esquartelado, I e IV de Álvares de Toledo, II e III de Beaumont; sobre-o-todo um escudete de prata carregado d'um leão rompante de púrpura, que é de Silva. O Duque Don Fernando de Silva foi o mais condecorado entre os Duques de Alba, não sendo apenas Cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro, mas também Cavaleiro da Ordem do Espírito Santo e da Ordem francesa de São Miguel. Seu emblemático brasão pode, até hoje, ser visto pintado no pórtico do Palácio de Las Dueñas, em Sevilha. 

O 12º Duque foi sucedido por sua neta, Dona Maria del Pilar Teresa Cayetana de Silva Álvares de Toledo y Silva-Bazán, 13ª Duquesa de Alba, filha do Duque de Huéscar (herdeiro do Ducado de Alba). Como a 13ª Duquesa não teve descendência, foi substituída na Chefia da Casa de Alba por Don Carlos Miguel Fitz-James Stuart, 6º Duque de Berwick, ponto assim fim a segunda linhagem da Casa de Alba (linhagem SILVA), e iniciando assim a terceira linhagem (linhagem FITZ-JAMES STUART).

Don Carlos Miguel Fitz-James Stuart, 6º Duque de Berwick pode suceder no Ducado de Alba por ser filho de Don Jacobo Fitz-James Stuart, 5º Duque de Berwick, filho que era de Don Carlos Bernado Fitz-James Stuart y Silva, 4º Duque de Berwick, que era filho de Dona Maria Teresa de Silva y Álvares de Toledo, irmã do 12º Duque de Alba.

Brasão do 14º Duque de Alba, 6º Duque de Berwick

Não se tem notícias de que o 6º Duque de Berwick tenha alterado as suas Armas pessoais quando torno-se 14º Duque de Alba; todavia é de se supor que tenha adotado as bandeiras externas dos Duques de Alba, bem como as espadas referentes ao título de Condestável de Navarra, assim como o timbre dos Álvares de Toledo. Também foi nessa época que os Duques de Alba somaram ao exterior de seu brasão duas maças, postas em aspa atrás do escudo, em memória aos serviços palacianos que os Duques de Alba prestaram aos Reis de Espanha.

As Armas dos Fitz-James Stuart, Duques de Berwick, são esquarteladas, I e IV contra-equarteladas com as armas de França e Inglaterra; II com as Armas da Escócia e III com as Armas da Irlanda, tendo ainda uma bordadura de 16 campos, os ímpares com a metade do tamanho dos pares, sendo os ímpares de blau carregados d'uma flor-de-lis de ouro, e os pares de goles carregados d'um leopardo de ouro, armado e linguado de blau.

Brasão do 15º Duque
Apesar de não haver bibliografia satisfatória a respeito das Armas do 15º Duque de Alba, supõe-se que tenha utilizado as Armas de seu pai (de Fitz-James Stuart), tendo as Armas dos Álvares de Toledo em escudete sobre o abismo do escudo. Foi o Duque Cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro.

Brasão do 16º e do 17º Duques

Será a partir do 16º Duque de Alba, Don Carlos Maria Fitz-James Stuart y Palafox-Portocarrero, que o escudo da Casa de Alba assume os contornos que conhecemos hoje, sendo esquartelado, I contra-equartelado com as armas de França e Inglaterra; II com as Armas da Escócia, III com as Armas da Irlanda, IV com as Armas dos Álvares de Toledo, tendo ainda uma bordadura de 16 campos, os ímpares com a metade do tamanho dos pares, sendo os ímpares de blau carregados d'uma flor-de-lis de ouro, e os pares de goles carregados d'um leopardo de ouro, armado e linguado de blau. Ao redor do escudo as bandeiras externas dos Duques de Alba, bem como as espadas referentes ao título de Condestável de Navarra, assim como o timbre dos Álvares de Toledo e duas maças, postas em aspa atrás do escudo.
Como o 16º Duque, assim como o 17º foram Cavaleiros da Ordem do Tosão de Ouro, foi esse o colar visto ao redor de seus escudos.

É importante salientar que, após a morte sem herdeiros masculinos de Don Jacobo Santiago María del Pilar Carlos Manuel Felipe Juan Pío Fernando Francisco de Sales Gerónimo Mamerto Eduvigio Fitz-James Stuart Falcó Palafox-Portocarrero y Osorio, 17º Duque de Alba e 10º Duque de Berwick (que entrou para a história com o nome de Don Jacobo Fitz-James Stuart), houve a separação entre a Casa de Alba (que foi herdada por sua filha Cayetana), e a Casa de Berwick (herdada por seu sobrinho Don Fernando Fitz-James Stuart), uma vez que o título de Duque de Berwick apenas pode ser herdada por linha primogênita, seguindo os princípios da Lei Sálica.

Brasão da 18º Duquesa
Dona María del Rosario Cayetana Paloma Alfonsa Victoria Eugenia Fernanda Teresa Francisca de Paula Lourdes Antonia Josefa Fausta Rita Castor Dorotea Santa Esperanza Fitz-James Stuart y Silva Falcó y Gurtubay, 18ª Duquesa de Alba de Tormes, foi Dama da Grã-Cruz da Ordem de Isabel La Católica, da Ordem de Afonso X, da Ordem das Damas Nobres de Nossa Senhora Auxiliadora, bem como da Ordem Constantiniana de São Jorge, são então essas as condecorações que pendem de seu escudo.

Como Dona Cayetana (nome pelo qual a 18º Duquesa ficou conhecida) casou-se com Don Luís Martínez de Irujo y Artázcoz, filho do IX Duque de Sotomayor e V Marquês de Casa-Irujo, extinguiu-se a 3º linhagem da Casa de Alba (FITZ-JAMES STUART), e inicou-se assim a quarta lingagem da Casa de Alba (MARTÍNEZ DE IRUJO).

Armas do 19º Duque
Sucedeu a 18º Duquesa seu filho primogênito, Don Carlos Juan Fitz-James Stuart y Martínez de Irujo, que alterou a ordem de seus sobrenomes, para passar o sobrenome Fitz-James Stuart a seus filhos, evitando assim a extinção do sobrenome. Seus irmãos todos permanecem com o sobrenome Martínez de Irujo.

Deve o 19º Duque utilizar as Armas de seu mãe, com o brasão dos Martínez de Irujo em escudete posto sobre o abismo. Como o 19º Duque é Cavaleiro da Real Ordem de San Gennaro, é este o colar que soma-se ao seu escudo.

BANDEIRA DO DUCADO DE ALBA



A bandeira do Ducado é um pano azul, e nele estampada as Armas dos Álvares de Toledo, com seu timbre, suas bandeiras, além das espadas como Condestáveis de Navarra e as maças. Surpreende porém que no funeral da 18º Duquesa de Alba, pode-se ver uma estranha bordadura ao redor do escudo dos Álvares de Toledo, bordadura essa de 16 peças de prata e goles. 

Andre Prinz von Trivulzio-Galli, 14º Príncipe de Mesolcina e do Sacro Império Romano-Germânico
O autor é especialista e consultor em heráldica e genealogia, bem como autor e ensaísta. Contato: casademesolcina@gmail.com 

Para citação no Brasil (ABNT), usar:
PRINZ VON TRIVULZIO-GALLI, Andre. Brasões de Armas dos Duques de Alba, Blog de Cavalaria. 2018. Disponível em: https://www.blogdecavalaria.com/2018/09/brasoes-de-armas-dos-duques-de-alba.html acessado em (especificar a data do acesso ao site).