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sexta-feira, 23 de abril de 2021

Duque de Orléans ou Conde de Paris: qual o título correto? / Duke of Orléans or Count of Paris: what is the correct title?

 Como um Legitimista convicto que sou, a simples pronúncia do título de "conde de Paris" parece-me impalatável, bem como, ouvir sobre o mesmo, parece-me algo inconcebível, todavia, mesmo como Legitimista que sou, debruçando-me sobre a história desse título, fico agora mais aliviado ao ouvir falar dele.

Antes que algum dos Fiéis Leitores chegue a errônea conclusão de que tornei-me "orleanista" (que Deus me livre disso), antes devemos esclarecer algo muito importante sobre a Monarquia na França: desde que ocorreu a revolução francesa, Louis-Philippe II d'Orléans, 5º Duque de Orléans, grão-mestre da maçonaria francesa, declara não ser um Orléans, abre mão de seus títulos e de seu sobrenome, a adota o sobrenome "Égalité" (igualdade), passando assim a se chamar Philippe Égalité, e vota pela morte de Sua Majestade Cristianíssima o Rei Louis XVI, tornando-se assim um regicida. Após a morte de Louis XVI e Louis XVII, é coroado na França Sua Majestade Imperial Napoleão I, Imperador dos Franceses, iniciando a dinastia dos Bonaparte

Após a queda de Napoleão I, Sua Majestade Cristianíssima Louis XVIII, irmão mais novo de Louis XVI é coroado como Rei da França, é a chamada Restauração da Dinastia de Bourbon. Louis-Philippe III d'Orléans, filho de Philippe Égalité implora pelo perdão do Rei, e é readmitido na Corte como 6º Duque de Orléans. Possuía o tratamento de Alteza Sereníssima, que o Rei Louis XVIII aumenta (não se sabe se a título pessoal ou hereditário) como Alteza Real.

Após a morte de Sua Majestade Cristianíssima Louis XVIII, seu irmão é coroado Rei com o nome de Carlos X, dando continuidade a Monarquia Legitimista da Casa de Bourbon. Em Julho de 1830, uma rebelião, liderada por Louis-Philippe III d'Orléans, 6º Duque de Orléans, pretende destronar o Rei Carlos X, que então, dizendo a famosa frase "a história já nos ensinou a nunca confiar em um Orléans" e abdica a Coroa em favor de seu filho, o Delfin Louis de França, que torna-se então Sua Majestade Cristianíssima o Rei Louis XIX. Todavia, Louis XIX, também decide abdicar em favor de seu sobrinho, que torna-se então Sua Majestade Cristianíssima o Rei Henri V de França. 

Louis-Philippe III d'Orléans, 6º Duque de Orléans, é então declarado Regente do jovem Rei Henri V, que então contava com tão somente 10 anos de idade, todavia, Louis-Philippe III d'Orléans, mostrando bem ser filho do regicida Philippe Égalité apenas informa aos Deputados da Abdicação do Rei Carlos X e de Louis XIX, mas nada menciona acerca do fato de Henri V ter tornado-se assim o novo Rei da França, e por meio de um golpe de estado, torna-se Sua Majestade Louis-Philippe I, Rei dos Franceses (nunca recebe o título de Rei da França, nem o tratamento de Majestade Cristianíssima). É criada então uma nova monarquia, chamada de MONARQUIA DE JULHO (pela sua curta duração de apenas 18 anos).

Este reino dos franceses, efêmero desde a sua criação, precisava de novos símbolos, de modo que, em 1831, Louis-Philippe I abre mão de seu brasão como Duque de Orléans (campo de blau com três flores-de-lis de ouro postas em roquete (Armas da França) com a diferença de um lambel de três pendentes de prata), e decide criar um novo brasão, que seria assim descrito: campo de blau carregado com um livro de ouro em forma de tábuas, e tendo nele escrito "CHARTE CONSTITUTIONNELLE 1830". Também o Rei dos Franceses adota a antiga bandeira tricolor de Napoleão, e a Legião de Honra torna-se a mais alta condecoração desta nova monarquia.

Brasão do Rei dos Franceses, que tornou-se armas alternativas da Casa de Orléans


Nesta nova monarquia a dinastia reinante é a Casa de Orléans, que assim torna-se a Casa Real dos Franceses, mas nunca a Casa Real da França (representada no exílio pelo Legítimo Rei da França), e nesta nova monarquia, Louis-Philippe I declara seu filho mais velho como Sua Alteza Real o Príncipe Real da França (ou seja, não como Delfin, título da Monarquia Tradicional, mas sim "Príncipe Real"), e ao filho mais velho deste, Louis-Philippe d'Orléans concede o título de Conde de Paris


Foi justamente com o Príncipe Real que irá acontecer um dos maiores fiascos políticos da Monarquia de Julho: Louis-Philippe, Rei dos Franceses, tentará casar seu filho Ferdinand-Philippe, Príncipe Real, a quem havia cedido o título de Duque de Orléans, na tentativa de dar maior respaldo legitimista; todavia, nenhuma Família Real Católica no mundo irá aceitar o pedido de casamento. Se irá tentar tratar o casamento com a Princesa Dona Januária de Bragança, Princesa do Brasil e Infanta da Portugal, filha de Dom Pedro I do Brasil, porém este, alegando motivos "de distância" recusará o casamento... se tentará então o casamento com Sua Alteza Imperial e Real a Arquiduquesa Maria Theresa de Habsburgo-Lorena, porém o Império Austríaco rejeitou a proposta com veemência. Em seguida, se tentará buscar uma noiva no pequeno Reino de Württemberg, na pessoa de Sua Alteza Real a Princesa Sophie Prinzessin von Württemberg, porém o Rei Willian I de Württemberg não aceitará o pedido de casamento, causando um enorme constrangimento contra a Casa de Orléans. Constrangimento piorado pouco depois, quando o Rei de Württemberg irá concordar que a Princesa Sophie case-se com o Conde austríaco Alfred Neipperg, deixando claro que, para o Reino de Württemberg (bem como para todas as Casas Reais), um Conde valia mais do que o Duque de Orléans...


Brasão do Príncipe Real da França, ou Príncipe Real dos Franceses, durante a Monarquia de Julho


Sem ter mais alternativas, Louis-Philippe d'Orléans irá procurar entre as Casas Principescos protestantes alemãs uma esposa para seu filho. Encontrará no pequeno Ducado de Mecklembourg-Schwerin uma esposa, na Princesa Hélène Louise Élisabeth Prinzessin von Mecklembourg-Schwerin. Todavia persistia um sério problema: Hélène Louise era luterana, e negou-se a converter-se a Catolicismo para o casamento... Casar-se com uma Princesa de origem luterana, nunca foi um problema na França, porém era a primeira vez que uma princesa de origem luterana não abraçava a Fé Católica antes do casamento. Como a Princesa manteve-se luterana após o casamento, os descendentes desta união passaram a ser vistos como possivelmente não Dinastas para os Legitimistas. 

Com a morte do Príncipe Real da França, e a derrocada de Louis-Philippe I em 1848, seus partidários passam a utilizar os símbolos da efêmera monarquia de julho como símbolos próprios, é o chamado "partido orleanista", que prega uma monarquia moderna e liberal, contrária aos ideias da Monarquia tradicionalista e Católica, representada pela Casa de Bourbon e seus apoiadores, os chamados Legitimistas.

Após a morte de Louis-Philippe I, seu neto, o Conde de Paris passa a ser chamado de Louis-Philippe II, Conde de Paris. Tentará em vão ser reconhecido por Sua Majestade Cristianíssima o Rei Henri V de Bourbon antes de sua morte, porém será em vão.

Será desta forma que passarão a haver três linhas de sucessão à França: A Sucessão Legitimista (da Casa de Bourbon, chefiada por Sua Alteza Real o Duque de Anjou, e representando quase mil anos de Monarquia Capetiana), a Sucessão Bonapartista (da Casa de Bonaparte, chefiada por Sua Alteza Imperial o Príncipe de Napoleão, representando os dois impérios franceses, de Napoleão I e Napoleão III); e por fim, a Sucessão Orleanista (da Casa de Orléans, chefiada por Sua Alteza Real o Conde de Paris, representando uma monarquia que durou apenas 18 anos, e em nada teve de ligação com a Monarquia Capetíngia). 

O mais peculiar é que, pelas Leis Fundamentais do Reino da França, mesmo após todas as traições dos Orléans, eles continuam na Linha de Sucessão Legitimista ao Trono da França, o podendo reclamar Legitimamente em caso da morte de todos os Bourbons do mundo (algo que, graças a Deus, é virtualmente impossível), e para saber mais sobre isso, recomendamos essa outra postagem do Corriere della Mesolcina, clicando aqui

Mas, desta forma, como já esclarecida a situação do que foi a efêmera Monarquia de Julho, e que, embora o Duque de Orléans, que estando na Linha de Sucessão Legitimista ao Trono da França possui os títulos de Sua Alteza Sereníssima o  Duque de Orleans , Duque de Valois, Duque de Chartres, Duque de Nemours, Duque de Montpensier, Delfim de Auvergne, Príncipe de Joinville, Senescal Hereditário de Champagne, Marquês de Coucy, Marquês de Folembray, Conde de Soissons, Conde de Dourdan, Conde de Romorantin e Barão de Beaujolais, Príncipe de Sangue de França. Todavia, no caso de insistirem na sucessão do "Reino dos Franceses" da Monarquia de Julho, podem utilizar o título de Conde de Paris, que foi criado por Louis-Philippe I em 1831.


Mas, vale-se lembrar que, nem todos os pretendentes orleanistas utilizaram o título de Conde de Paris, um deles utilizou o título que lhe cabia como Duque de Orléans, e outro elegeu o de "duque de Guise", ao qual não tinha direitos, nem sob a Monarquia Legitimista, nem sob a monarquia de julho...


Brasões das esposas dos pretendentes Orleanistas:


Brasão de Sua Majestade Marie-Amélie de Bourbon-Duas Sicílias, Rainha dos Franceses, esposa de Louis-Philippe I, Rei dos Franceses


Brasão de Sua Alteza Real Hélène Louise Élisabeth Prinzessin von Mecklembourg-Schwerin, Princesa Real dos Franceses, Duquesa de Orléans, esposa de Ferdinand-Philippe, Príncipe Real e Duque de Orléans.

                                       


Brasão de Sua Alteza Real a Princesa Marie-Isabelle d'Orléans-Galliera, Condessa de Paris, esposa de Louis-Philippe II, Conde de Paris


Brasão de Marie-Dorothée de Habsbourg-Lorraine, Duquesa d'Orléans, esposa de Louis-Philippe III, Duque de Orléans


Brasão de Isabelle Marie Laure d'Orléans, Duquesa de Guise, esposa de Jean d'Orléans, Duque de Guise


Brasão de Isabelle d'Orléans-Bragança (ou Orléans-Eu), Condessa de Paris, esposa de Henri Robert d'Orléans, Conde de Paris

Houveram mais três consortes orleanistas, todavia, pela vida escandalosa de Henri, Conde de Paris (filhos de Henri Robert), que além de ser declaradamente maçom (portanto, excomungado da Igreja Católica) abandonou a sua legítima esposa, Sua Alteza Real a Princesa Maria Teresa von Württemberg, para casar-se civilmente com Micaela Cousino, ela própria divorciada de Jean-Robert Beef, logo, não desenharemos, nem publicaremos os brasões destes escandalosos consórcios.  

Brasões de Armas:

Como vimos acima, o Duque de Orléans, como Príncipe de Sangue de França tem como brasão estas armas:

Armas da França, tendo por diferença um lambel de prata de três pendentes. Coroa de Príncipe do Sangue

Bem como, enquanto pretendente orleanista a continuador da malfadada "monarquia de julho" tem estas armas:

Campo de blau carregado com um livro de ouro em forma de tábuas, e tendo nele escrito "CHARTE CONSTITUTIONNELLE 1830". Coroa real de Louis-Philippe I dos Franceses


E poderiam agora perguntar, mas então quando o Duque de Orléans/Conde de Paris terá direito a estas Armas?:

Armas dos Reis Cristianíssimos da França

E a resposta é: NUNCA! Pois tais Armas pertencem ao Chefe da Casa Real da França (não da "Casa Real dos Franceses"), que é o Primogênito entre os Capetíngios: Sua Alteza Real o Príncipe Louis XX de Bourbon, Duque de Anjou! 


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Texto e brasões de armas (com peças da Wikipédia) de Sua Alteza Sereníssima o Príncipe Don Andre III Prinz von Trivulzio-Galli, Duque de Venosa, 14º Príncipe de Mesolcina e do Sacro Império Romano-Germânico.

Para falar com o autor, escreva para: principeandregalli@gmail.com




terça-feira, 6 de abril de 2021

Evolução do Brasão de Armas dos Duques de Bragança / Evolution of the Coat of Arms of the Dukes of Bragança

 Fieis Leitores do Blog de Cavalaria, II Caderno do Corriere della Mesolcina. Hoje falaremos a vocês sobre a evolução no brasão de armas de Suas Excelências os Duques de Bragança, antes de Dom João II, Duque de Bragança ter-se tornado El-Rey de Portugal com o nome de Dom João IV; trataremos, portando, dos brasões da Sereníssima Casa de Bragança como Casa Ducal (1442 a 1640), e não como a Dinastia Real Portuguesa (de 1640 até nossos dias). A importância desta Casa Ducal, sem igual em toda a península ibérica foi tamanha que, todos os seus titulares foram numerados à modo das Casas da Alta Aristocracia da Europa Central, da mesma forma que os próprios Reis de Portugal.

Após 1640, quando os Duques de Bragança passam a serem os Reis de Portugal, o título e o patrimônio da Casa de Bragança continuam separados dos bens da Coroa, de modo a poder-se assim diferir o patrimônio privado da "Sereníssima Casa de Bragança" daquele da Casa Real Portuguesa, mesmo após a fusão das mesmas. Desta forma o Rei de Portugal, costuma ceder o título de Duque de Bragança ao seu herdeiro e sucessor. Houveram casos, contudo, como o do Imperador Dom Pedro I do Brasil / Rei Dom Pedro IV de Portugal, que o mesmo após abdicar da Coroa de Portugal para manter a Coroa Imperial Brasileira, não abriu mão do título de Duque de Bragança, e mesmo após abdicar da Coroa do Brasil se manterá Duque de Bragança até a sua morte.

Atualmente o título de Duque de Bragança cabe ao Chefe da Casa Real Portuguesa, e por isso é intitulado como Sua Alteza Real, sendo hoje o seu atual titular, Sua Alteza Real Dom Duarte Pio, Duque de Bragança, Chefe da Casa Real Portuguesa.


O primeiro Duque de Bragança e suas Armas (1442-1461)

O primeiro Duque de Bragança foi Dom Afonso I, filho bastardo do Rei Dom Manuel I de Portugal (ele próprio um filho bastardo do Rei Dom Pedro I de Portugal), que casou-se com Dona Beatriz Pereira Alvim, filha e herdeira do Conde São Nuno Álvares Pereira. Da junção da fortuna de São Nuno com o patrimônio recebido pelo Rei, a Casa de Bragança torna-se a família mais rica da península ibérica. 

As armas do 1º Duque de Bragança foram armas simples, um escudo de prata com uma aspa de goles, carregada de cinco escudetes cozidos de blau, cada um sobrecarregado de cinco besantes de prata em aspa (chamados na tradição heráldica portuguesa de "Quinas de Portugal"). O timbre é uma cabeça e dorso de cavalo de prata (aqui também representamos com as patas dianteiras), com arreios e freios de suas cor, e ferido com três lançadas de goles.

Estas armas serão depois utilizados pelos heraldistas como as "armas do Ducado de Bragança", esquecendo que as Armas dos Duques de Bragança iriam evoluir, como veremos, até atingir a sua plenitude nos tempos do 5º Duque de Bragança. 


Dom Afonso I, 1º Duque de Bragança, representado junto de seu brasão

Armas do 1º Duque de Bragança por S.A.S. o Príncipe D. Andre Prinz von Trivulzio-Galli, como também o são os demais brasões aqui representados em desenhos vetoriais.

O segundo Duque de Bragança e seu brasão (1461-1478)

O segundo Duque de Bragança foi Dom Fernando I, filho de D. Afonso I e de Dª. Beatriz Pereira Alvim. Seu brasão de armas manteve a mesma estrutura das armas de seu pai, contudo, o problema dos escudetes cozidos de blau foi resolvido, sendo substituídos por cinco escudetes de prata, carregados por cinco pequenos escudetes de blau postos em cruz, sobrecarregados por cinco besantes de prata, postos em aspa (as "Quinas de Portugal"). 

Foi o 2º Duque de Bragança casado com Dona Joana de Casto, filha e herdeira de Dom João de Castro, 2º Senhor de Cadaval, sendo que este Senhorio foi então somado ao já enorme patrimônio da Sereníssima Casa de Bragança.



O terceiro Duque de Bragança e seu brasão (1478-1483)

 O terceiro Duque de Bragança foi Dom Fernando II, filho mais velho do 2º Duque e de sua esposa. Foi casado em duas ocasiões, a primeira, com Leonor de Menezes, de quem não teve filhos, e a segunda vez, com a Infanta Dona Isabel de Viseu, filha do Infante Dom Fernando, Duque de Viseu e de Beja. Este casamento com a Infanta Isabel teve depois uma grande importância heráldica para os posteriores Duques de Bragança, pois Dona Isabel era filha de Sua Alteza o Infante Dom Fernando de Portugal, Duque de Viseu e de sua esposa Sua Alteza a Infanta Dona Beatriz de Beja. O Infante Dom Fernando, Duque de Viseu era filho do Rei Dom Duarte I de Portugal e da Infanta Dona Leonor, Infanta de Aragão e Princesa da Sicília, sendo que, depois, as Armas de Aragão e Sicília seriam utilizadas futuramente nos brasões dos Duques de Bragança, como veremos.



As armas do 3º Duque de Bragança foram compostas por um escudo de prata com uma aspa de goles, carregada de cinco escudetes com as Armas do Reino de Portugal tendo um filete em banda e outro em contrabanda, ambos em sable. O timbre é uma cabeça e dorso de cavalo de prata (aqui também representamos com as patas dianteiras), com arreios e freios de suas cor, e ferido com três lançadas de goles.


O quarto Duque de Bragança e seu brasão (1483-1532)

O quarto Duque de Bragança foi Dom Jaime I, que teve uma relação de extrema proximidade com o Rei Dom Manuel I, ao ponto de ter sido Jurado como Príncipe Herdeiro de Portugal em 1498, pelo fato do Rei ainda não ter filhos, e da proximidade genealógica entre o Duque de Bragança e o Rei de Portugal. Este juramento de Dom Jaime I como Príncipe Herdeiro de Portugal passou a refletir também em seu brasão de armas.

O brasão do 4º Duque de Bragança foi composto pelas armas plenas do Reino de Portugal, tendo por diferença um lambel de ouro de três braços carregados de três armas de Aragão-Sicília (o lambel de ouro pela condição de Príncipe Herdeiro Jurado, e nele as armas de Aragão-Sicília pelo casamento de seu pai, como visto acima). 

Foi também na condição de Herdeiro Jurado do Trono de Portugal, que o 4º Duque de Bragança adota a serpe real como seu timbre, no lugar da cabeça e dorso de cavalo de prata, com arreios e freios de suas cor, e ferido com três lançadas de goles; porém, a diferença do Rei, que usava a serpe dourada, o Duque de Bragança a utiliza em sinopla (verde): vem daí a tradição de ligar a cor verde à Sereníssima Casa de Bragança, coisa que mais tarde, resultaria no verde como cor representativa da Dinastia de Bragança na bandeira imperial do Brasil. Mas, afinal, qual o motivo do 4º Duque de Bragança ter adotado uma serpe verde, e não de qualquer outra cor? Isso de deve à chamada "ínclita geração", ou seja, a geração dos filho d'El-Rei Dom João I de Portugal: nela, cada um dos cinco Infantes, além de diferenças nos campos dos escudos, recebeu a serpe do timbre de uma cor: (Dom Duarte, mais tarde D. Duarte I de Portugal, a recebeu dourada, como Príncipe Herdeiro; Dom Pedro, Duque de Coimbra, a recebeu de prata; Dom Henrique, Duque de Viseu, a recebeu verde; Dom João, Condestável de Portugal, a recebeu vermelha e o Bem-Aventurado Dom Fernando a recebeu azul), e como o Duque de Viseu não teve filhos, deixou seus títulos para seu sobrinho, o Infante Dom Fernando, Duque de Beja (filho mais novo do Rei Dom Duarte I), que passou assim a usar o título de Duque de Viseu e de Beja, e adotou o brasão do Duque de Viseu, com o timbre da serpe verde. Foi a filha do Duque de Viseu, a Infanta Dona Isabel de Viseu, Duquesa de Bragança, casada com o 3º Duque, como visto acima, a motivação da escolha da cor verde da serpe dos Bragança. 


Brasão de Armas do 4º Duque de Bragança, segundo o Livro do Armeio-Mor. Note-se que o paquife é nas cores goles (vermelho) e blau (azul), cores dos Duques de Bragança, que seriam depois "revividas" pela "Revolta do Remexido" 


Após o Rei Dom Manuel I ter filhos, o Duque de Bragança perde então sua condição de Príncipe Herdeiro de Portugal, todavia, conserva seu brasão de armas, e recebe o título de "Tio de Rei", título este hereditário a partir de si, no Ducado de Bragança, até os Duques de Bragança tornarem-se Reis de Portugal.


O quinto Duque de Bragança e suas Armas (1532-1563)

O quinto Duque de Bragança foi Dom Teodósio I. Será com este Duque que as Armas dos Duques de Bragança chegariam até a sua forma moderna, utilizadas até o 8º Duque de Bragança, Dom João II chegar ao Trono de Portugal como Rei Dom João IV. 


Antigo painel de azulejos portugueses, com as Armas dos Duques de Bragança, após o 5º Duque de Bragança, até 1640.


Armas do 5º Duque de Bragança, utilizadas pelos sucessores Duques até 1640

O Brasão de Armas utilizadas após o 5º Duque de Bragança, tido como "definitivo" até a coroação do 8º Duque de Bragança como Rei de Portugal foram definidas como as Armas plenas do Reino de Portugal (como utilizado por seu pai), tendo por diferença um lambel de ouro com três pendentes, tendo nos dois pendentes junto ao flanco as armas partidas de Aragão e Sicília.

Paquife em goles (vermelho) e blau (azul). O se manterá sempre a serpe de sinopla, que passou a ser o distintivo da própria Casa de Bragança. 

As Armas dos atuais Duques de Bragança 

Apenas a título de curiosidade, terminaremos esta publicação com as Armas de Sua Alteza Real o Sr. Dom Duarte Pio de Orléans-Bragança e de Bragança, Duque de Bragança e Chefe da Casa Real Portuguesa:

Brasão de Sua Alteza Real o Príncipe Dom Duarte Pio, Duque de Bragança, Chefe da Casa Real Portuguesa, com a banda da Real Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, como Grão-Mestre das Ordens Reais Portuguesas.



Texto e desenhos vetoriais (alguns com elementos do Wikipédia) por 

Sua Alteza Sereníssima o Príncipe Don Andrea III Gonzaga Trivulzio-Galli, 
Duque de Venosa,
18º Príncipe e 13º Duque de Mesolcina, Príncipe do Sacro Império Romano-Germânico, 
Chefe da Casa Principesca de Mesolcina. 
 

Se quiser falar com o autor, escreva para: principeandregalli@gmail.com

quarta-feira, 17 de março de 2021

Brasões dos Membros da Casa Imperial do Brasil / Coat of Arms of the Members of the Imperial House of Brazil




 Fiéis Leitores do Corriere della Mesolcina, hoje, irei publicar um estudo que, venho desenvolvendo ao longo dos anos, e que irá interessar a muitos de vocês: a Heráldica na Casa Imperial do Brasil.

Primeiramente, gostaria de afirmar sobre a grande dificuldade que envolve este estudo, pois, tanto no Reino do Brasil como no Império do Brasil a heráldica era pouco desenvolvida em suas regras próprias. Nos Reinados de Dona Maria I e Dom João I, a heráldica seguiu as regras próprias da heráldica portuguesa. Já depois da separação do Império do Brasil do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, no Reinado de Dom Pedro I a heráldica manteve-se basicamente próxima à heráldica portuguesa, já tendo, contudo, reflexos da heráldica francesa. Durante o Reinado de Dom Pedro II, de fato, a heráldica brasileira foi "inundada" por modas típicas da heráldica francesa. 

Porém, ao se analisar os brasões da Casa Imperial do Brasil, chegamos a uma série de regras não escritas, mas que seguem por base no costume. Aqui queremos deixar claro que estamos falando da heráldica, não da vexilologia (estudo das bandeiras), de modo que, a realidade heráldica que aqui demonstramos, não alteraria a bandeira do antigo Império do Brasil.

1 Costume: Após a morte da Princesa Dona Isabel de Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil entre 1891 a 1921, extinguiu-se o ramo brasileiro da Casa de Bragança. Seus três filhos com o Príncipe Luís Gastão de Orléans, Conde d'Eu, herdaram a varonia paterna (Orléans, ramo cadete da Casa Real da França, hoje Chefiada por Sua Alteza Real o Duque de Anjou), e, mesmo que tenham mantido o sobrenome dinástico "Orléans e Bragança", de fato são membros da Casa de Orléans. Por este motivo, sobre o antigo escudo imperial brasileiro, carrega-se um escudete, com as armas dos Orléans.


2 Costume: O número de estrelas varia com a quantidade de unidades federativas brasileiras (atuais Estados, antigas Províncias), de modo que, os atuais Dinastas da Casa Imperial do Brasil, tem em seus brasões 27 estrelas (para os 26 estados mais o distrito federal). Os não Dinastas, carregam em seus brasões o número de estrelas correspondente ao número de unidades federativas, ao tempo em que perderam seus direitos dinásticos.


3 Costume: O Ramo Primogênito da Princesa Isabel e do Conde d'Eu não é um ramo dinástico. O Chamado "ramo de Petrópolis" apenas tem direitos dinásticos (tal qual todos os membros nascidos de casamento católico da Casa Imperial do Brasil) ao extinto Trono da França, logo, possuem o tratamento de Príncipes de Sangue da França, e estão na Linha de Sucessão ao Trono Francês após os Bourbon-França, os Bourbon-Espanha, os Bourbon Duas Sicílias, os Bourbon-Parma, os Bourbon-Nassau, e os Orléans, estando na frente dos Orléans-Galliera. 


4 Costume: Como Dom Pedro I decretou que continuariam a viger no Império do Brasil as Leis que até então haviam vigido no Reino do Brasil, desde que estas não fossem abolidas ou substituídas por novas leis, a heráldica oficial durante toda a Monarquia Brasileira foi a Portuguesa, e será, com base nesta, que iremos blasonar os brasões dos membros da Casa Imperial do Brasil:


Aviso: Nós iremos utilizar os títulos e denominações que foram dadas por dom Pedro I na Constituição Política do Império do Brasil.


Quando falarmos nas Armas Imperiais do Brasil, falaremos em: um campo de sinopla, com uma esfera armilar de ouro, transpassada pela Cruz da Ordem Religiosa-Militar de Cristo e encerrada em um listel de blau, orlado de prata e polvilhado com o número de estrelas do mesmo metal, correspondente a cada Príncipe; sobreposto, um escudete tendo as Armas dos Duques de Oléans – de blau, com três flores de lis de ouro, postas em roquete, e, em chefe, um lambel de três pontas de prata; Ao redor do escudo a banda da mais alta condecoração Dinástica que por ventura venha o armigerante a possuir. 

Suportes: um ramo de tabaco, florido, à sinistra, e um ramo de café, frutificado, à destra, ambos de sua própria cor e unidos por um laço de goles. 

Timbrando o escudo, a Coroa correspondente. 


Para o Imperador ou Chefe da Casa Imperial, agrega-se: atrás do escudo, cruzados da sinistra para a destra e da destra para a sinistra, o Centro do Império do Brasil e o Cetro da Mão da Justiça, ambos de ouro.

Coroa Diamantina (a do Império do Brasil), com 8 diademas de ouro cravejado de pérolas, 5 visíveis e forro de goles.

Condecoração: a Banda da Imperial Ordem do Cruzeiro, transpassada pelo laço dos suportes.

Pavilhão: de sinopla, recolhido, com dossel, cordões e franjas de ouro e forro de arminho, o todo encimado pela Coroa do Império do Brasil. 


Brasões históricos:

Brasão de Sua Majestade Imperial e Fidelíssima o Imperador Dom Pedro I do Brasil e IV de Portugal e Algarves, Aquém e Além Mar, Defensor Perpétuo do Brasil e Duque de Bragança.

Armas Imperiais do Brasil, tendo 19 estrelas em orla. Ao redor do escudo a Banda da Imperial Ordem do Cruzeiro do Sul. Sobre o escudo a Coroa Imperial de Dom Pedro I.


Armas de Sua Majestade Imperial o Imperador Dom Pedro II do Brasil, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil

Armas Imperiais do Brasil, tendo 20 estrelas em orla. Ao redor do escudo a Banda da Imperial Ordem do Cruzeiro do Sul. Sobre o escudo a Coroa Diamantina.


Armas de Sua Majestade Imperial a Imperadora Titular Dona Isabel I do Brasil (uma Chefe de Estado de um Império é chamada de Imperadora; Imperatriz é a Consorte de um Imperador) Imperadora Constitucional de Ius e Defensora Perpétua do Brasil
Armas Imperiais do Brasil, tendo 20 estrelas em orla. Ao redor do escudo a Banda da Imperial Ordem do Cruzeiro do Sul. Sobre o escudo a Coroa Diamantina.


Armas de Sua Majestade Imperial o Imperador Consorte Dom Luís I Gastão de Orléans, Conde d'Eu, Imperador Titular Consorte do Brasil

Armas plenas dos Orléans. Ao redor do escudo a Banda da Imperial Ordem do Cruzeiro do Sul. Sobre o escudo a Coroa Diamantina.


Armas de Sua Majestade Imperial o Imperador Titular do Brasil Dom Pedro III Henrique de Orléans e Bragança, Imperador Constitucional de Ius e Defensor Perpétuo do Brasil, Chefe da Casa Imperial do Brasil, Príncipe do Sangue

Brasão composto pelas Armas Imperiais do Brasil, tendo em orla 23 estrelas de prata. Sobre o abismo, um escudete com as Armas dos Duques de Orléans. Ao redor do escudo a banda da Imperial Ordem do Cruzeiro do Sul. Sobre o escudo a Coroa Imperial do Brasil (Coroa Diamantina) 


PRÍNCIPES DINASTAS DA CASA IMPERIAL DO BRASIL

Brasão de Sua Alteza Imperial o Príncipe Dom Luís II Gastão de Orléans e Bragança, Chefe da casa Imperial do Brasil, Imperador de Ius e Defensor Perpétuo do Brasil, Príncipe do Sangue de França:

Brasão composto pelas Armas Imperiais do Brasil, tendo em orla 27 estrelas de prata. Sobre o abismo, um escudete com as Armas dos Duques de Orléans. Ao redor do escudo a banda da Imperial Ordem do Cruzeiro do Sul. Sobre o escudo a Coroa Imperial do Brasil (Coroa Diamantina) 


Brasão de Sua Alteza Imperial o Príncipe Dom Bertrand de Orléans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil, Príncipe do Sangue:

Brasão das Armas Imperiais do Brasil, tendo em orla 27 estrelas de prata, e por diferença, um lambel de prata de três pendentes. Sobre o abismo, um escudete com as Armas dos Duques de Orléans. Ao redor do escudo a banda da Imperial Ordem de Pedro I, Fundador do Império do Brasil. Sobre o escudo a Coroa de Príncipe Imperial do Brasil.

 
Brasão de Armas de Sua Alteza Imperial o Príncipe Dom Antonio de Orléans e Bragança, Príncipe do Grão-Pará, Príncipe do Brasil, Príncipe do Sangue.

Brasão das Armas Imperiais do Brasil, tendo em orla 27 estrelas de prata, e por diferença, um lambel de prata de três pendentes, carregados cada um com uma rosa florida de goles, abotada douro e folhada de sinopla (lambel do Príncipe do Grão-Pará). Sobre o abismo, um escudete com as Armas dos Duques de Orléans. Ao redor do escudo a banda da Imperial Ordem de Pedro I, Fundador do Império do Brasil. Sobre o escudo a Coroa de Príncipe do Brasil.


Brasão de Sua Alteza Imperial a Princesa Dona Cristine de Ligne, Princesa Consorte do Grão-Pará, Princesa do Brasil, Princesa de Ligne.

Armas partidas: no I as armas de seu esposo, o Príncipe do Grão-Pará. No II as armas de seu pai, o Príncipe de Ligne e do Sacro Império Romano-Germânico. Ao redor do escudo, o Colar da Grã-Cruz Efetiva da Imperial Ordem da Rosa. Sobre o escudo a Coroa de Princesa do Brasil.


Brasão de Sua Alteza o Príncipe Dom Rafael de Orléans e Bragança, Primeiro Infante do Império do Brasil (como filho mais velho supérstite dos Príncipes do Grão-Pará), Príncipe do Brasil, Príncipe do Sangue.

Brasão das Armas Imperiais do Brasil, tendo em orla 27 estrelas de prata, e por diferença, um lambel de prata de três pendentes, tendo sobre o primeiro as Armas dos Ligne. Sobre o abismo, um escudete com as Armas dos Duques de Orléans. Ao redor do escudo a banda da Imperial Ordem de Pedro I, Fundador do Império do Brasil. Sobre o escudo a Coroa de Príncipe do Brasil

Brasão de Sua Alteza a Princesa Dona Maria Gabriela de Orléans e Bragança, Princesa do Brasil

Armas: Um losango partido, no I de prata (para as armas de seu futuro esposo), no II com as armas de seu pai, o Príncipe do Grão-Pará. Sobre o escudo a Coroa de Princesa do Brasil



PRÍNCIPES NÃO DINASTAS DA CASA IMPERIAL DO BRASIL

Armas de Sua Alteza o Príncipe Dom Eudes de Orléans e Bragança, Príncipe do Sangue

Brasão das Armas Imperiais do Brasil, tendo em orla 23 estrelas de prata, e por diferença, um crescente de ouro no cantão destro do chefe. Sobre o abismo, um escudete com as Armas dos Duques de Orléans. Ao redor do escudo a banda da Imperial Ordem de Pedro I, Fundador do Império do Brasil. Sobre o escudo a coroa de Príncipe da Casa Imperial do Brasil.


Armas de Sua Alteza o Príncipe Dom Pedro de Alcântara de Orléans e Bragança, Príncipe do Sangue


Brasão das Armas Imperiais do Brasil, tendo em orla 23 estrelas de prata, e por diferença, uma merleta de ouro no cantão destro do chefe. Sobre o abismo, um escudete com as Armas dos Duques de Orléans. Ao redor do escudo a banda da Imperial Ordem de Pedro I, Fundador do Império do Brasil. Sobre o escudo a coroa de Príncipe da Casa Imperial do Brasil.


Armas de Sua Alteza o Príncipe Dom Fernando de Orléans e Bragança, Príncipe do Sangue


Brasão das Armas Imperiais do Brasil, tendo em orla 22 estrelas de prata, e por diferença, uma arruela de ouro no cantão destro do chefe. Sobre o abismo, um escudete com as Armas dos Duques de Orléans. Ao redor do escudo a banda da Imperial Ordem de Pedro I, Fundador do Império do Brasil. Sobre o escudo a coroa de Príncipe da Casa Imperial do Brasil.


Armas de Sua Alteza o Príncipe Dom Francisco de Orléans e Bragança, Príncipe do Sangue



Brasão das Armas Imperiais do Brasil, tendo em orla 23 estrelas de prata, e por diferença, uma rosa de ouro no cantão destro do chefe. Sobre o abismo, um escudete com as Armas dos Duques de Orléans. Ao redor do escudo a banda da Imperial Ordem de Pedro I, Fundador do Império do Brasil. Sobre o escudo a coroa de Príncipe da Casa Imperial do Brasil.


Armas de Sua Alteza o Príncipe Dom Alberto de Orléans e Bragança, Príncipe do Sangue


Brasão das Armas Imperiais do Brasil, tendo em orla 24 estrelas de prata, e por diferença, uma cruz bifurcada de ouro no cantão destro do chefe. Sobre o abismo, um escudete com as Armas dos Duques de Orléans. Ao redor do escudo a banda da Imperial Ordem de Pedro I, Fundador do Império do Brasil. Sobre o escudo a coroa de Príncipe da Casa Imperial do Brasil.


"Ramo de Petrópolis"

Brasão de Armas de Sua Alteza o Príncipe Dom Pedro de Orléans e Bragança, "Príncipe Titular de Orléans e Bragança" (ou "Príncipe de Orléans-Eu"), Príncipe do Sangue

Brasão das Armas Imperiais do Brasil, tendo em orla 20 estrelas de prata, e por diferença, um lambel de ouro de três pendentes. Sobre o abismo, um escudete com as Armas dos Duques de Orléans. Coroa de Príncipe de Sangue da França.


Armas de Sua Alteza o Príncipe Dom Pedro Tiago de Orléans e Bragança, Príncipe do Sangue. 

Armas de seu pai, tendo por diferença, um crescente de goles aplicada ao pendente central do lambel de ouro. 


Os textos e desenhos são de Sua Alteza Sereníssima o Príncipe Don Andre III Prinz von Trivulzio-Galli, 14º Príncipe de Mesolcina e do Sacro Império Romano-Germânico. Chefe da Casa Principesca de Mesolcina.

domingo, 7 de março de 2021

Corriere della Mesolcina

    FIÉIS LEITORES, Após anos de caminhada solitária, o Blog de Cavalaria passa agora a compor o Grupo Corriere della Mesolcina, como II Caderno (ou "Caderno Cultural") deste Jornal.


    Obviamente, não poderemos jamais abrir mão da marca "Blog de Cavalaria", uma vez que esta já é muito consolidada no mundo dos sites, porém, agora como II Carderno do Corriere della Mesolcina, este site deixará de ser um "Blog Pessoal", como até hoje foi, para compor uma importante parte do Jornal  Corriere della Mesolcina, fundado em 1857 por Sua Alteza Sereníssima o Príncipe Don Angelo I Trivulzio-Galli, IX Príncipe de Mesolcina e do Sacro Império Romano-Germânico.


    Ao nos juntarmos a um Jornal que já tem 167 anos, não perderemos nada, vez que eu, Andre Prinz von Trivulzio-Galli, manterei minha coluna neste Jornal, como até hoje tenho mantido, e os senhores desde logo saberão que sou eu, pela minha indubitável maneira de dirigir-me a vocês, meus FIÉIS LEITORES, porém agora, aqui no II Caderno do Corriere della Mesolcina, porão contar também com outros tantos bons autores.


    Continuaremos nos vendo por aqui, no Blog de Cavalaria, agora como Blog de Cavalaria - Caderno Cultural do Corriere della Mesolcina. Aguardem ótimas novidades!


Andre Prinz von Trivulzio-Galli, XIV Príncipe de Mesolcina, e do Sacro Império Romano-Germânico, Presidente do Corriere della Mesolcina. 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Ordens Dinásticas da Casa Principesca de Trivulzio-Galli della Mesolcina

 


A Chancelaria-Geral das Ordens Dinásticas da Sereníssima Casa Principesca de Trivulzio-Galli della Mesolcina anuncia a todos que tiverem interesse em enviar currículum vitae para a possível admissão nas Ordens Dinásticas da Casa Principesca, poderão fazê-lo através do e-mail: ordinidinastici@gmail.com 


segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Ordens Militares de Cavalaria / Military Orders of Chivalry



Fieis Leitores do Blog de Cavalaria, em um distante 15 de agosto de 2016, comecei a desenvolver um Curso sobre Ordens de Cavalaria. Passaram-se os anos, e como é típico deste site, outros assuntos foram mescando-se àquele, de modo a não entediar a uns, nem desiludir a outros... 

A Primeira postagem da série intitulou-se "Ordens de Cavalaria Religiosa-Militares e Ordens Honoríficas: qual a diferença?" texto este publicado em 15 de agosto de 2016, e cujo acesso pode ser dado clicando no link do nome...

O segundo texto do curso recebeu o título de "Ordens de Cavalaria Dinástica: O que são?", publicado em 08 de março de 2017, e cujo link encontra-se acima...

A terceira parte do curso, publicada em 26 de maio de 2017, chamou-se "Ordens Dinásticas de inspiração Religiosa-Militar", e tem grande sintonia com a primeira postagem da série... 

Já a quarta parte, chamada "Ordens Dinásticas Femininas", publicada em 20 de setembro de 2017 tratou acerca das chamadas Damenorden, que são as Ordens instituídas apenas para Damas.

Hoje publicaremos a quinta parte do Curso sobre Ordens de Cavalaria, que irá tratar acerca das Ordens Militares, um grupo numeroso e muito importante de Ordens de Cavalaria, que não deve ser confundido nem com as Ordens Religiosas-Militares, e suas "irmãs" as Ordens de inspiração Religiosas-Militares, nem com as Ordens Honoríficas (que trataremos no futuro).

As Ordens Militares são Ordens de Cavalaria fundadas já partir do século XV, mas que encontrou seu grande apogeu no século XIX. Diferente das Ordens Militares-Religiosas (também chamadas de Ordens Equestres) que foram criadas no contexto das lutas das Santas Cruzadas, e após algum tempo de funcionamento, foram todas reconhecidas pela Santa Sé por Bulas Papais ou das Ordens Dinásticas de inspiração Religiosa-Militar, que eram criadas a partir de Bulas Papais já quando as Santas Cruzadas haviam deixado de existir há séculos, as Ordens Militares foram criadas por Senhores Feudais (geralmente dentro do Sacro Império Romano-Germânico), e nunca buscaram, ou mesmo aceitaram a aprovação pontifícia de suas atividades.

Com o passar dos anos as Ordens Militares passaram a desenvolver um grande papel no tangente a recompensa de militares e mesmo de pessoas voltadas para a vida civil. Diferente das Ordens meramente honoríficas, os Cavaleiros das Ordens Militares possuem vínculo de proximidade "perpétuo e inquebrantável" com seu Grão-Mestre, podendo a qualquer momento serem privados de seus títulos, em casos de irem contra os Estatutos das mesmas. 

Tais Ordens Militares são, logo abaixo das Ordens de Colar e das Ordens Militares-Religiosas, o mais prestigioso grupo de Ordens de Cavalaria. 

Poderia-se dizer que a primeira Ordem Militar a ser instituída foi a Ordem de São Maurício, criada pelo Príncipe Amedeo VIII di Savoia, Conde e depois Duque de Savoia, em 1434. Tal Ordem de Cavalaria, quer por suas características, quer por seu modo fundacional, iniciou uma nova fase de Ordens Cavalheirescas: de Cavaleiros mais preocupados com as atividades e práticas do próprio mundo cavalheiresco, do que com a vida religiosa de suas Ordens. Mais tarde, em 1571 a Ordem Religiosa-Militar de São Lázaro de Jerusalém teve seu Grão-Magistério passado para a Casa de Savoia, e em 1572 o Duque Emanuele Filiberto di Savoia uniu a Ordem de São Maurício, a Ordem de São Lázaro, criando assim a Ordem dos Santos Maurício e Lázaro, até hoje existente, e cujo Grão-Mestrado cabe ao Duque de Savoia.




A próxima Ordem Militar a ser criada foi a Ordem Militar de São Teodoro Mártir, criada em 1483 pelo Príncipe Teodoro I Trivulzio, Conde de Melzo, Marquês de Pizzighetone, etc. Tal Ordem, seguindo o exemplo da Ordem de São Maurício, não buscou receber a aprovação Pontifícia de suas atividades, e diferente do que ocorreu com a Ordem Muriciana, jamais foi unida a uma Ordem Religiosa-Militar, de modo que podemos afirmar que a Ordem de São Teodoro Mártir é hoje a Ordem Militar mais antiga existente. 

A Ordem foi criada inicialmente apenas com dois graus: Cavaleiro e Comendador, sendo que depois recebeu o posto de Grande Oficial e Grã-Cruz.

Atualmente são os postos da Ordem (do maior para o menor)
- Cavaleiro ou Dama do Grão-Colar;
- Cavaleiro ou Dama da Grã-Cruz;
- Cavaleiro ou Dama Grande Oficial;
- Cavaleiro Comendador ou Dama de Comenda;
- Cavaleiro ou Dama.

Seu Grão-Magistério até hoje pertence aos descendentes de seu Fundador, sendo o Príncipe de Mesolcina, como Chefe da Sereníssima Casa Principesca de Trivulzio-Galli seu Grão-Mestre.



Ordem de Santo Huberto de Lorena e de Bar, fundada em 1502 por Renato II, Duque de Lorena, Duque de Bar e Conde de Guise, sobre origem lendária de uma outra Ordem Militar que teria sido criada sob o mesmo nome em 1416 (ou 1422). Dividia-se em três graus: 
- Cavaleiro da Grã-Cruz; 
- Comendador; e
- Cavaleiro.



Ordem Real e Militar de São Louis de França, criada em 05 de abril de 1693 pelo Rei Luís XIV de França. A Ordem pretendia premiar os méritos dos oficiais que servissem ao menos por 10 anos (logo após o período mínimo de serviço passou para 20). A Ordem foi dividida em 3 graus:
- Cavaleiro da Grã-Cruz (em número não superior a 8)
- Comendadores (em número não superior a 24)
- Cavaleiros (em número indeterminado)

Quando um Cavaleiro da Grã-Cruz da Ordem de São Louis era recebido na Ordem do Espírito Santo, este era "rebaixado" a mero Cavaleiro da Ordem de São Louis, afim de liberar vagas para novos Cavaleiros de Grã-Cruz. 



Ordem Militar de São Filipe e do Leão de Limburgo. Foi uma Ordem Militar instituída em 1700 pelos Condes de Limburg-Styrum, e tinha como finalidade a de premiar tanto feitos militares, como científicos e sociais. Possuía três graus:
- Grã-Cruz;
- Comendador;
- Cavaleiro.   



Ordem ao Mérito de São Miguel da Baviera, criada em 1721 pelo Príncipe-Eleitor José Clemente da Baviera, Arcebispo de Colônia. Após a secularização do Arcebispado de Colônia, a Ordem passou ao parente vivo mais próximo de José Clemente, que era o Rei Maximiliano I da Baviera, que a acolheu. 

O Papa Pio VII ofereceu o reconhecimento pontifício para a Ordem, porém isso não foi de todo aceito pelo Rei da Baviera, que continuou governando a Ordem como Ordem puramente Militar. Em sua criação a Ordem possuía 3 graus, que era os de Cavaleiro da Grã-Cruz, Comendador e Cavaleiro.

Contudo, em 1855 o Rei Maximiliano II da Baviera alterou seus Estatutos e lhe dividiu em 5 graus, que até hoje possui, que são os de:

- Cavaleiro de Grã-Cruz;
- Cavaleiro Grande Oficial;
- Comendador;
- Cavaleiro de I Classe;
- Cavaleiro de II Classe.

O Grão-Magistério da Ordem cabe ao Duque da Baviera, Chefe da Casa Real da Baviera.  



Ordem Militar de Maria Thereza, criada em 1757 pela Imperadora que lhe deu o nome. A Ordem foi dotada de numerosos privilégios junto a Corte Imperial em Viena, entre eles os de todos os seus membros eram elevados à Nobreza com o título de Barões. A nomeação dos Cavaleiros era feita em Capítulos, onde os próprios Cavaleiros tinham direito de opinar junto ao Grão-Mestre. A Ordem era dividida em três graus:
- Grã-Cruz;
- Comendador;
- Cavaleiro. 



Ordem Real e Militar de Santo Estêvão da Hungria, criada em 1764 pela Imperadora Maria Thereza da Áustria, como Monarca da Hungria. Era tida como uma "versão húngara"  da Ordem Militar de Maria Thereza. Possuía 3 graus:  
- Grã-Cruz;
- Comendador;
- Cavaleiro. 



Ordem dos Quatro Imperadores, criada em 06 de dezembro de 1768 por Sua Alteza Ilustríssima Philipp Ferdinand Conde de Limburg-Styrum. A Ordem possuía três graus, que eram os de:
- Grã-Cruz;
- Comendador;
- Cavaleiro. 


Ordem Militar de Maximiliano-José (Militär-Max-Joseph-Orden) foi criada em 01 de janeiro de 1806 pelo Rei Maximiliano I José da Baviera. Foi a primeira Ordem bávara criada em caráter puramente militar, porém não honorífica. Estava desde sua criação subdividida em três graus, que são:
- Cavaleiro da Grã-Cruz;
- Comendador;
- Cavaleiro.



Ordem Militar de William, criada em 1815 pelo Rei William I dos Países Baixos, como uma forma de tentar imitar a Ordem Militar de Maria Thereza da Áustria. Foi dividida em quatro classes, que são:
- Cavaleiro da Grã-Cruz;
- Comendador;
- Cavaleiro de 3ª Classe;
- Cavaleiro de 4ª Classe.

Tal Ordem julgava-se estar a caminho da extinção pela Coroa neerlandesa, pois até 2009 possuía um único Cavaleiro vivo (e que havia nascido em 1917), porém em 2009 ocorreu a nomeação de um novo Cavaleiro de 4ª Classe, e atualmente a Ordem possui 4 Cavaleiros vivos, todos Cavaleiros de 4ª Classe.  



Ordem Real de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, criada em 1818 pelo Rei Dom João VI do Reino-Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Recebeu seus primeiros Estatutos um ano depois. Era dividida em sua criação nos seguintes graus:
- Cavaleiro ou Dama da Grã-Cruz Efetivo;
- Cavaleiro ou Dama da Grã-Cruz Honorário; 
- Comendadores;
- Cavaleiros ou Damas;
- Donatos; 

Mais tarde, em 1980, o Duque de Bragança, a qual o Grão-Mestrado da Ordem cabe como Chefe da Casa Real Portuguesa, alterou seus Estatutos, a dividindo em:
- Cavaleiro ou Dama da Grã-Cruz;
- Cavaleiro ou Dama Grande Oficial;
- Cavaleiro Comendador com Placa ou Dama de Comenda com Placa;
- Cavaleiro Comendador ou Dama de Comenda;
- Cavaleiro ou Dama;



Ordem Militar de Saint-Charles, fundada em 15 de março de 1858 pelo Príncipe Charles III Grimaldi, para premiar os principais feitos militares de seu pequeno Principado. A Ordem, é dividida em cinco graus, a saber:
- Cavaleiro ou Dama da Grã-Cruz;
- Cavaleiro ou Dama Grande Oficial;
- Comendador ou Dama de Comenda;
- Oficial;
- Cavaleiro ou Dama.