Seguidores

Mostrando postagens com marcador Curso ORDENS DE CAVALARIA & ORDENS HONORÍFICAS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Curso ORDENS DE CAVALARIA & ORDENS HONORÍFICAS. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Ordens Militares de Cavalaria / Military Orders of Chivalry



Fieis Leitores do Blog de Cavalaria, em um distante 15 de agosto de 2016, comecei a desenvolver um Curso sobre Ordens de Cavalaria. Passaram-se os anos, e como é típico deste site, outros assuntos foram mescando-se àquele, de modo a não entediar a uns, nem desiludir a outros... 

A Primeira postagem da série intitulou-se "Ordens de Cavalaria Religiosa-Militares e Ordens Honoríficas: qual a diferença?" texto este publicado em 15 de agosto de 2016, e cujo acesso pode ser dado clicando no link do nome...

O segundo texto do curso recebeu o título de "Ordens de Cavalaria Dinástica: O que são?", publicado em 08 de março de 2017, e cujo link encontra-se acima...

A terceira parte do curso, publicada em 26 de maio de 2017, chamou-se "Ordens Dinásticas de inspiração Religiosa-Militar", e tem grande sintonia com a primeira postagem da série... 

Já a quarta parte, chamada "Ordens Dinásticas Femininas", publicada em 20 de setembro de 2017 tratou acerca das chamadas Damenorden, que são as Ordens instituídas apenas para Damas.

Hoje publicaremos a quinta parte do Curso sobre Ordens de Cavalaria, que irá tratar acerca das Ordens Militares, um grupo numeroso e muito importante de Ordens de Cavalaria, que não deve ser confundido nem com as Ordens Religiosas-Militares, e suas "irmãs" as Ordens de inspiração Religiosas-Militares, nem com as Ordens Honoríficas (que trataremos no futuro).

As Ordens Militares são Ordens de Cavalaria fundadas já partir do século XV, mas que encontrou seu grande apogeu no século XIX. Diferente das Ordens Militares-Religiosas (também chamadas de Ordens Equestres) que foram criadas no contexto das lutas das Santas Cruzadas, e após algum tempo de funcionamento, foram todas reconhecidas pela Santa Sé por Bulas Papais ou das Ordens Dinásticas de inspiração Religiosa-Militar, que eram criadas a partir de Bulas Papais já quando as Santas Cruzadas haviam deixado de existir há séculos, as Ordens Militares foram criadas por Senhores Feudais (geralmente dentro do Sacro Império Romano-Germânico), e nunca buscaram, ou mesmo aceitaram a aprovação pontifícia de suas atividades.

Com o passar dos anos as Ordens Militares passaram a desenvolver um grande papel no tangente a recompensa de militares e mesmo de pessoas voltadas para a vida civil. Diferente das Ordens meramente honoríficas, os Cavaleiros das Ordens Militares possuem vínculo de proximidade "perpétuo e inquebrantável" com seu Grão-Mestre, podendo a qualquer momento serem privados de seus títulos, em casos de irem contra os Estatutos das mesmas. 

Tais Ordens Militares são, logo abaixo das Ordens de Colar e das Ordens Militares-Religiosas, o mais prestigioso grupo de Ordens de Cavalaria. 

Poderia-se dizer que a primeira Ordem Militar a ser instituída foi a Ordem de São Maurício, criada pelo Príncipe Amedeo VIII di Savoia, Conde e depois Duque de Savoia, em 1434. Tal Ordem de Cavalaria, quer por suas características, quer por seu modo fundacional, iniciou uma nova fase de Ordens Cavalheirescas: de Cavaleiros mais preocupados com as atividades e práticas do próprio mundo cavalheiresco, do que com a vida religiosa de suas Ordens. Mais tarde, em 1571 a Ordem Religiosa-Militar de São Lázaro de Jerusalém teve seu Grão-Magistério passado para a Casa de Savoia, e em 1572 o Duque Emanuele Filiberto di Savoia uniu a Ordem de São Maurício, a Ordem de São Lázaro, criando assim a Ordem dos Santos Maurício e Lázaro, até hoje existente, e cujo Grão-Mestrado cabe ao Duque de Savoia.




A próxima Ordem Militar a ser criada foi a Ordem Militar de São Teodoro Mártir, criada em 1483 pelo Príncipe Teodoro I Trivulzio, Conde de Melzo, Marquês de Pizzighetone, etc. Tal Ordem, seguindo o exemplo da Ordem de São Maurício, não buscou receber a aprovação Pontifícia de suas atividades, e diferente do que ocorreu com a Ordem Muriciana, jamais foi unida a uma Ordem Religiosa-Militar, de modo que podemos afirmar que a Ordem de São Teodoro Mártir é hoje a Ordem Militar mais antiga existente. 

A Ordem foi criada inicialmente apenas com dois graus: Cavaleiro e Comendador, sendo que depois recebeu o posto de Grande Oficial e Grã-Cruz.

Atualmente são os postos da Ordem (do maior para o menor)
- Cavaleiro ou Dama do Grão-Colar;
- Cavaleiro ou Dama da Grã-Cruz;
- Cavaleiro ou Dama Grande Oficial;
- Cavaleiro Comendador ou Dama de Comenda;
- Cavaleiro ou Dama.

Seu Grão-Magistério até hoje pertence aos descendentes de seu Fundador, sendo o Príncipe de Mesolcina, como Chefe da Sereníssima Casa Principesca de Trivulzio-Galli seu Grão-Mestre.



Ordem de Santo Huberto de Lorena e de Bar, fundada em 1502 por Renato II, Duque de Lorena, Duque de Bar e Conde de Guise, sobre origem lendária de uma outra Ordem Militar que teria sido criada sob o mesmo nome em 1416 (ou 1422). Dividia-se em três graus: 
- Cavaleiro da Grã-Cruz; 
- Comendador; e
- Cavaleiro.



Ordem Real e Militar de São Louis de França, criada em 05 de abril de 1693 pelo Rei Luís XIV de França. A Ordem pretendia premiar os méritos dos oficiais que servissem ao menos por 10 anos (logo após o período mínimo de serviço passou para 20). A Ordem foi dividida em 3 graus:
- Cavaleiro da Grã-Cruz (em número não superior a 8)
- Comendadores (em número não superior a 24)
- Cavaleiros (em número indeterminado)

Quando um Cavaleiro da Grã-Cruz da Ordem de São Louis era recebido na Ordem do Espírito Santo, este era "rebaixado" a mero Cavaleiro da Ordem de São Louis, afim de liberar vagas para novos Cavaleiros de Grã-Cruz. 



Ordem Militar de São Filipe e do Leão de Limburgo. Foi uma Ordem Militar instituída em 1700 pelos Condes de Limburg-Styrum, e tinha como finalidade a de premiar tanto feitos militares, como científicos e sociais. Possuía três graus:
- Grã-Cruz;
- Comendador;
- Cavaleiro.   



Ordem ao Mérito de São Miguel da Baviera, criada em 1721 pelo Príncipe-Eleitor José Clemente da Baviera, Arcebispo de Colônia. Após a secularização do Arcebispado de Colônia, a Ordem passou ao parente vivo mais próximo de José Clemente, que era o Rei Maximiliano I da Baviera, que a acolheu. 

O Papa Pio VII ofereceu o reconhecimento pontifício para a Ordem, porém isso não foi de todo aceito pelo Rei da Baviera, que continuou governando a Ordem como Ordem puramente Militar. Em sua criação a Ordem possuía 3 graus, que era os de Cavaleiro da Grã-Cruz, Comendador e Cavaleiro.

Contudo, em 1855 o Rei Maximiliano II da Baviera alterou seus Estatutos e lhe dividiu em 5 graus, que até hoje possui, que são os de:

- Cavaleiro de Grã-Cruz;
- Cavaleiro Grande Oficial;
- Comendador;
- Cavaleiro de I Classe;
- Cavaleiro de II Classe.

O Grão-Magistério da Ordem cabe ao Duque da Baviera, Chefe da Casa Real da Baviera.  



Ordem Militar de Maria Thereza, criada em 1757 pela Imperadora que lhe deu o nome. A Ordem foi dotada de numerosos privilégios junto a Corte Imperial em Viena, entre eles os de todos os seus membros eram elevados à Nobreza com o título de Barões. A nomeação dos Cavaleiros era feita em Capítulos, onde os próprios Cavaleiros tinham direito de opinar junto ao Grão-Mestre. A Ordem era dividida em três graus:
- Grã-Cruz;
- Comendador;
- Cavaleiro. 



Ordem Real e Militar de Santo Estêvão da Hungria, criada em 1764 pela Imperadora Maria Thereza da Áustria, como Monarca da Hungria. Era tida como uma "versão húngara"  da Ordem Militar de Maria Thereza. Possuía 3 graus:  
- Grã-Cruz;
- Comendador;
- Cavaleiro. 



Ordem dos Quatro Imperadores, criada em 06 de dezembro de 1768 por Sua Alteza Ilustríssima Philipp Ferdinand Conde de Limburg-Styrum. A Ordem possuía três graus, que eram os de:
- Grã-Cruz;
- Comendador;
- Cavaleiro. 


Ordem Militar de Maximiliano-José (Militär-Max-Joseph-Orden) foi criada em 01 de janeiro de 1806 pelo Rei Maximiliano I José da Baviera. Foi a primeira Ordem bávara criada em caráter puramente militar, porém não honorífica. Estava desde sua criação subdividida em três graus, que são:
- Cavaleiro da Grã-Cruz;
- Comendador;
- Cavaleiro.



Ordem Militar de William, criada em 1815 pelo Rei William I dos Países Baixos, como uma forma de tentar imitar a Ordem Militar de Maria Thereza da Áustria. Foi dividida em quatro classes, que são:
- Cavaleiro da Grã-Cruz;
- Comendador;
- Cavaleiro de 3ª Classe;
- Cavaleiro de 4ª Classe.

Tal Ordem julgava-se estar a caminho da extinção pela Coroa neerlandesa, pois até 2009 possuía um único Cavaleiro vivo (e que havia nascido em 1917), porém em 2009 ocorreu a nomeação de um novo Cavaleiro de 4ª Classe, e atualmente a Ordem possui 4 Cavaleiros vivos, todos Cavaleiros de 4ª Classe.  



Ordem Real de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, criada em 1818 pelo Rei Dom João VI do Reino-Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Recebeu seus primeiros Estatutos um ano depois. Era dividida em sua criação nos seguintes graus:
- Cavaleiro ou Dama da Grã-Cruz Efetivo;
- Cavaleiro ou Dama da Grã-Cruz Honorário; 
- Comendadores;
- Cavaleiros ou Damas;
- Donatos; 

Mais tarde, em 1980, o Duque de Bragança, a qual o Grão-Mestrado da Ordem cabe como Chefe da Casa Real Portuguesa, alterou seus Estatutos, a dividindo em:
- Cavaleiro ou Dama da Grã-Cruz;
- Cavaleiro ou Dama Grande Oficial;
- Cavaleiro Comendador com Placa ou Dama de Comenda com Placa;
- Cavaleiro Comendador ou Dama de Comenda;
- Cavaleiro ou Dama;



Ordem Militar de Saint-Charles, fundada em 15 de março de 1858 pelo Príncipe Charles III Grimaldi, para premiar os principais feitos militares de seu pequeno Principado. A Ordem, é dividida em cinco graus, a saber:
- Cavaleiro ou Dama da Grã-Cruz;
- Cavaleiro ou Dama Grande Oficial;
- Comendador ou Dama de Comenda;
- Oficial;
- Cavaleiro ou Dama.

sábado, 2 de junho de 2018

A Ordem Militar de Sant'Iago da Espada / The Military Order of Saint James of the Sword



A Ordem de Sant'Iago é uma Ordem Religiosa-Militar (para saber mais acerca dessa categoria de Ordens, clique aqui), surgida no século XII no Reino de Leão, quando no ano de 1164 o Rei Fernando II de Leão e Dom Pedro Suárez de Deza, Bispo de Salamanca, encarregaram a um grupo de 13 homens (chamados de Cavaleiros de Cacerez) da defesa da cidade de Cacerez contra os muçulmanos, que acaba por ser uma tarefa indefensável, vez que em 1174 o Califa de Sevilha vence a resistência dos Cavaleiros e toma a cidade. Após isso os Cavaleiros tomam o nome de Cavaleiros da Espada, e passam a defender os peregrinos Católicos que se dirigiam pelo Caminho de Sant'Iago, altura em que, em 1175 o Papa Alexandre III reconhece a criação da Ordem. 

Com a missão da proteção dos peregrinos no Caminho de Sant'Iago, criou-se o costume de clamar pela proteção do Apóstolo, sempre antes de entrar em uma batalha, e o Apóstolo torna-se o Patrono da Ordem dos Cavaleiros da Espada ainda em 1º de Agosto de 1170, sendo que, com o tempo, os Cavaleiros da Espada, passaram a ser chamados de Cavaleiros de Sant'Iago.

Dessa primitiva Ordem leonesa surgiram depois 3 Ordens, todas ramificadas da original, e todas suas continuadoras, sendo o primeiro ramo aquele Espanhol, continuador do Grão-Magistério original. Surgiu depois a ramificação Portuguesa, criada quando o Rei Dom Diniz pediu, em 1288, que o Papa Nicolau IV separasse as comendas portuguesas daquelas leonesas, de modo que a Ordem pudesse ser considerada portuguesa, o que foi apenas parcialmente atendido pelo Papa, que por meio de Sua Bula de 1288 concedeu autonomia aos Cavaleiros portugueses, porém que eles ainda estavam obrigados a prestarem obediência ao Grão-Mestre da Ordem, no Reino de Leão.

Os Reis de Portugal não se conformaram com a autonomia parcial, e insistiram muitas vezes em seu pedido, sendo que o Papa João XXII concedeu no ano de 1320 a separação definitiva da Ordem Portuguesa daquela Castelhana-Leonesa. Os Cavaleiros da Ordem em Portugal mantiveram o nome de Cavaleiros da Espada (coisa abandonada em Castela), sendo chamados de Cavaleiros de Sant'Iago da Espada. 

Comenda da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (prata, final do século XVIII), clique na imagem para ampliar. Na primeira imagem a placa, que podia ser colocada e removida da casaca, ao centro a venérea e a esquerda a chapa, onde pode-se ver uma série de furinhos ao redor da chapa, pois ela era costurada na casaca.

Os Reis de Portugal adquiriram para si o Grão-Magistério da Ordem de Sant'Iago da Espada em 1551, quando o Papa Julio III, por meio da Bula Preaclara charissimi in Christo, de 04 de janeiro de 1551. 

A Terceira ramificação surgiu quando da Independência do Brasil, ocasião em que Dom Pedro I, legítimo herdeiro dinástico dos Direitos dos Reis de Portugal, por ser o filho mais velho do Rei Dom João VI, pede ao Papa Leão XII que separe o ramo brasileiro das Ordens Militares portuguesas, o que o Papa concede por meio da Bula Praeclara Portugalliae et Algarbiorumque Regnum, de 30 de maio de 1827. Contudo essa Ordem brasileira foi a menos usada das Ordens Militares, tendo sido concedida apenas 9 vezes no reinado de Dom Pedro I (todos Cavaleiros), e apenas uma única vez no longo reinado de Dom Pedro II, número extremamente baixo, comparado ao período em que Dom João VI reinou no Brasil, onde concedeu-se a mesma Ordem 104 vezes, (83 Cavaleiros, 13 Comendadores e 8 Grã-Cruzes). 

As Ordens Militares Portuguesas mantiveram o caráter clerical até o ano de 1789, quando por meio da Carta de Lei de 19 de Junho de 1789 a Rainha Dona Maria I as reformulou, delas removendo o caráter puramente religioso, reservando a Ordem de Sant'Iago aos que exercessem trabalho na Magistratura.

Também por disposição da Carta de Lei de 19 de Junho de 1789, a Rainha Dona Maria I decretou que as Condecorações dos Comendadores (Comendas) se distinguiriam daquelas dos Cavaleiros (Hábitos), vez que os Comendadores passariam a utilizar uma insígnia do Sagrado Coração de Jesus em suas Comendas, assim como os Grã-Cruzes.

A fita da Ordem de Sant'Iago, que antes era vermelha, passou a ser violeta  por disposição do Alvará de 10 de Junho de 1796, uma vez que até essa data havia uma grande confusão entre os Cavaleiros da Ordem de Sant'Iago e os da Ordem Militar de Cristo, vez que os de Cristo também usavam fita vermelha. 

Insignias da Real e Militar Ordem de Sant'Iago da Espada, segundo os usos após a Carta de Lei de 19 de Junho de 1789


Cavaleiro:
Os Cavaleiros, por disposição de Dona Maria I, utilizariam a sua Condecoração (Hábito) presa por um nastro, que por disposição do Alvará de 10 de Junho de 1796, passou a ser violeta.

Comendador:
Os Comendadores utilizam seus Condecorações (Comendas) em forma de venérea, sendo a Cruz suspensa por uma espécie de Troféu com o Sagrado Coração de Jesus. Os Comendadores, assim como os Cavaleiros da Grã-Cruz, utilizavam sempre a placa da Ordem, e nela também o Sagrado Coração de Jesus.

Grã-Cruz:
Os Grã-Cruzes utilizavam a Cruz da Ordem em uma chapa oval esmaltada de branco, e nela tanto a Cruz da Ordem como o Sagrado Coração de Jesus; essa chapa era presa em uma banda violeta, pendente do ombro direito, atravessante para o lado esquerdo. Usavam também o mesmo modelo de placa que os Comendadores.

Usos heráldicos da Real e Militar Ordem de Sant'Iago da Espada

Como uma antiga Ordem Militar Religiosa, os Cavaleiros, Comendadores e Grã-Cruzes podiam colocar seu escudo sobre a Cruz da Ordem, e dispor suas respectivas condecorações:

Cavaleiro:
Utilizam seu Hábito pendente da ponta do escudo

Comendador:
Utilizam sua Comenda pendente de uma fita, ao redor do escudo

Grã-Cruz:
Utilizam sua Banda ao redor do escudo.

As condecorações utilizadas na presente publicação são obra do Sr. Raphael Vibancos Lisboa, um excelente designer, (que também é Arauto do Tribunal Heráldico co Conselho da Nobreza da Casa Principesca de Mesolcina) que recomendamos o contato, através do e-mail: heraldesign.br@gmail.com

Também agradecemos a Paulo Roberto de Sousa Fernandes, Conde de Colle d'Agnese (Rei-de-Armas Principal da Sereníssima Casa Principesca de Mesolcina) pelo desenho do esplendor abaixo do Sagrado Coração de Jesus, utilizado na venérea dos Comendadores.

As bandas e fitas são de Andre Prinz von Trivulzio-Galli.

Andre Prinz von Trivulzio-Galli, 14º Príncipe de Mesolcina e do Sacro Império Romano-Germânico 
O autor é especialista e consultor em heráldica e genealogia, bem como autor e ensaísta. Contato: casademesolcina@gmail.com  

Para citação no Brasil (ABNT), usar:
PRINZ VON TRIVULZIO-GALLI, Andre. A Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, Blog de Cavalaria. 2018. Disponível em: http://www.blogdecavalaria.com/2018/06/a-ordem-militar-de-santiago-da-espada.html acessado em (especificar a data do acesso ao site).

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa (2ª Parte)



Como vimos na postagem anterior, a importância da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa é tamanha que, para melhor estudá-la, dividimos sua análise em 2 Partes. A 1ª Parte, (para ler, clique aqui), tratou acerca da Ordem como estava estruturada durante o período monárquico, indo até a morte do Rei Dom Manuel II (1932). A 2ª Parte, que segue, tratará da Ordem como atualmente está estruturada, haja vista as modificações realizadas por seu atual Grão-Mestre Sua Alteza Real Dom Duarte Pio, Duque de Bragança.

Essa importante Ordem Dinástica-Militar de Inspiração religiosa (para saber mais acerca desse gênero de Ordens, clique aqui) foi criada pelo Rei Dom João VI de Portugal (que também foi Imperador do Brasil sob o título de Dom João I do Brasil) no dia de sua Coroação, na cidade do Rio de Janeiro, por meio do Decreto Régio de 06 de fevereiro de 1818. Ganhou seus Estatutos através do Alvará de 10 de setembro de 1819, por meio do qual Dom João criou seus graus e insígnias. 

Após o fim da Monarquia em Portugal o Grão-Magistério da Ordem permaneceu junto a Sua Majestade Fidelíssima o Rei Dom Manuel II, que em seu exílio na Inglaterra, costumava ainda condecorar seus apoiadores com as Ordens Portuguesas. Após a morte do Rei, o Grão-Magistério da Ordem recaiu em Sua Alteza Dom Duarte Nuno de Bragança, Infante de Portugal, que após a morte do Rei Dom Manuel II tornou-se o Pretendente ao Trono de Portugal e Chefe da Casa de Bragança, adotando assim o título de Sua Alteza Real o Duque de Bragança.

A Ordem parece não ter sofrido maiores alterações nesse período, até a morte de Dom Duarte Nuno, e a Chefia da Casa Real Portuguesa recair sobre seu filho Dom Duarte Pio de Bragança, que no início dos anos 80 (do século XX) reformou os Estatutos da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, que passou a ser tida como uma Associação Privada de Fieis de Direito Diocesano, e assim apenas como membros efetivos, tão somente passou a aceitar portugueses. 

São os atuais postos da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa

1 Cavaleiro
2 Comendador
3 Comendador com Placa
4 Grande Oficial
5 Grã-Cruz


Aspecto de uma cerimônia atual da Ordem

Basicamente as reformas introduzidas na Ordem mudaram o comportamento da mesma, que agora passou a ser uma associação privada de fieis de Direito Diocesano; além disso, a reforma introduziu novos postos, de "Comendador com Placa" e de "Grande Oficial" (também chamado de "Grã-Cruz de segunda classe"), além de retirar dos Comendadores o direito de sua placa (que agora só cabe aos "Comendadores com placa"), e eliminou o posto de Servente da Ordem. As condecorações também foram alteradas pelo atual Duque de Bragança, para assim refletir as mudanças introduzidas nos postos da Ordem.

Em contato que a Redação do Blog de Cavalaria teve com a Chancelaria das Ordens Dinásticas da Casa Real Portuguesa, obtivemos a seguinte resposta:

"De facto, todas as Ordens da Casa Real estão hoje Canonicamente Erectas e por isso hoje já não se admitem estrangeiros em Vila Viçosa. Para se ser membro requer mais de 10 anos de serviço para ser admitido como Cavaleiro, que é o primeiro grau, e depois mais outros 10 para promoções.
Porém se houver donativos  insignes às Arquidioceses em Protocolo com a Ordem, a Curia pode propor a condecoração, a título honorário, mas a pessoa nesse caso que recebe a mesma de S.A.R., só poderá usar a Insignia, mas não a capa, e não poderá participar em cerimónias da Ordem."

Ou seja, já não se admitem que cidadãos de fora de Portugal possam fazer parte na Ordem, além de que confirma-se que os postos agora podem todos ser concedidos em caráter efetivo ou honorário.

Insígnias da Real e Militar Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, após as reformas Estatutárias dos anos 80 do século XX

Cavaleiro:

Comendador:

Comendador com Placa:

Grande Oficial:

Grã-Cruz:

Novos usos heráldicos da Real e Militar Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa

Após as reformas introduzidas na Ordem, passou a vigorar uma perfeita desordem no modo da apresentação heráldica das condecorações dos Membros da Ordem, uma vez que, por ter sido desenvolvido a ideia de que todas as condecorações deveriam ser apresentadas com fita ao redor do escudo, porém essa ideia é torpe e anti-heráldica.

O modo correto de apresentar-se as condecorações é o que segue: 

Cavaleiro:
Os Cavaleiros portam o Hábito da Ordem pendente de um nastro nas cores da Ordem (azul com orlas brancas) pendente da ponta do escudo

Comendador:
Os Comendadores portam  a Comenda da Ordem pendente de um nastro nas cores da Ordem (azul com orlas brancas) pendente da ponta do escudo. Deve-se prestar atenção pois esse era o modo como os Cavaleiros desta Ordem portavam suas condecorações antes da reforma da mesma. Por isso, ao ver um brasão deve-se procurar saber se o armigerante foi admitido na Ordem antes ou após a reforma, para saber se trata-se de Cavaleiro, ou de Comendador.

Comendador com Placa
Os Comendadores com Placa portam a Comenda da Ordem pendente de uma fita, todavia essa fita não contorna todo o escudo, contorna apenas a metade inferior do mesmo.

Grande-Oficial:
Os Grandes Oficiais portam a sua condecoração da Ordem pendente de uma fita que contorna todo o escudo (partindo do Chefe)

Grã-Cruz:
Os Grã-Cruzes portam a Banda da Ordem, da qual pende a sua condecoração

As condecorações utilizadas na presente publicação são obra de Paulo Roberto de Sousa Fernandes, Conde de Colle d'Agnese (que desenhou a a insígnia da Ordem) e de Andre Prinz von Trivulzio-Galli (que desenhou as fitas e bandas e colocações heráldicas). 

Proibida a reprodução sem a autorização expressa de Andre Prinz von Trivulzio-Galli. 

Para citação no Brasil (ABNT), usar:
PRINZ VON TRIVULZIO-GALLI, Andre. Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Blog de Cavalaria. 2018. Disponível em: http://www.blogdecavalaria.com/2018/04/ordem-militar-de-nossa-senhora-da.html acessado em (especificar a data do acesso ao site).

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa (1ª Parte)



A importância da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa é tamanha que, para melhor estudá-la, dividimos sua análise em 2 Partes. A 1ª Parte, que segue, trata acerca da Ordem como estava estruturada durante o período monárquico, indo até a morte do Rei Dom Manuel II (1932). A 2ª Parte tratará da Ordem como atualmente está estruturada, haja vista as modificações realizadas por seu atual Grão-Mestre Sua Alteza Real Dom Duarte Pio, Duque de Bragança.

Essa importante Ordem Dinástica-Militar de Inspiração religiosa (para saber mais acerca desse gênero de Ordens, clique aqui) foi criada pelo Rei Dom João VI de Portugal (que também foi Imperador do Brasil sob o título de Dom João I do Brasil) no dia de sua Coroação, na cidade do Rio de Janeiro, por meio do Decreto Régio de 06 de fevereiro de 1818. Ganhou seus Estatutos através do Alvará de 10 de setembro de 1819, por meio do qual Dom João criou seus graus e insígnias. 

A Ordem fora dividida em 5 graus, sendo que a Sede da mesma Ordem foi fixada em Vila Viçosa, de modo que o Deão da Real Capela de Vila Viçosa passou a ser Comendador nato da Ordem. Declarou-se também que além do Deão, os Cônegos, o Prior e os Beneficiados (pelo Regime do Padroado) dessa Igreja Colegiada, seriam todos também Cavaleiros natos da Ordem; foram também declarados Cavaleiros natos os membros da Mesa (diretoria) da Confraria dos Escravos da Conceição. 

São os postos da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa

1 Serventes (donatos da Ordem, em número não superior a 60)
2 Cavaleiros (em número não superior a 100)
3 Comendadores (em número não superior a 40)
4 Grã-Cruzes honorários (em número não superior a 12)
5 Grã-Cruzes efetivos (todos os membros da família real, homens ou mulheres)

Diploma da Ordem, concedido no tempo do Rei Dom Carlos I (clique para ampliar)

Os Comendadores natos e Cavaleiros natos não contam para o número acima fixado, e são tidos como extraordinários. O manto da Ordem foi constituído como branco (igual o manto da Ordem de Cristo, São Bento de Avis e Sant'Iago da Espada), sendo que, caso um membro da Ordem de Vila Viçosa fosse já Cavaleiro de alguma das 3 Ordens Militares, este não precisaria ter o manto de Vila Viçosa, devendo apenas colocar sua venérea sobre o manto da Ordem Militar que já participava.

Os postos da Ordem podiam ser concedidos seguindo um rígido critério que era:

Os Cavaleiros, em número não superior a 100, eram concedidas aos nobres ou cortesões que prestassem anos de serviço para a Casa Real, e que se tornassem dignos de tal honraria. 
Os Comendadores, em número não superior a 40, eram concedidos apenas aos que fossem Fidalgos da Casa Real
As Grã-Cruzes honorários, em número não superior a 12, eram concedidos aquelas pessoas que sendo Pares do Reino, tivessem os principais Títulos de Nobreza do Rei
As Grã-Cruzes efetivos eram apenas concedidos aos Membros da Família Real, quer sejam homens ou mulheres

Ao centro a placa (usada pelos Grã-Cruzes e Comendadores) e nas laterais dois modelos de Hábitos de Cavaleiros, o primeiro em prata-dourada, e o segundo em ouro.


Vale-se lembrar que esta foi a única Ordem (com exceção da Real Ordem das Damas de Santa Isabel) criada por um Monarca da Casa de Bragança em Portugal (uma vez que as três Ordens Militares são reminiscentes das Cruzadas, e a Ordem da Torre e da Espada foi criada pelo Rei Dom Afonso V em 1459, e meramente reativada por Dom João VI), sendo assim compreensível que, mesmo após proclamada a república em Portugal, o Grão-Magistério da Ordem tenha se mantido para o Duque de Bragança (atualmente S.A.R. Dom Duarte Pio) não passando para a presidência da república, como ocorreu com as demais Ordens portuguesas.

Insígnias da Real e Militar Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa

Servente:

Cavaleiro:

Comendador:

Grã-Cruz:

Usos heráldicos da Real e Militar Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa

A Monarquia Lusitana passou a ter Reis-de-Armas no tempo dos Reis Dom Fernando e Dom João I, sendo que o Cartório da Nobreza foi criado em Portugal no final do século XV, início do século XVI, sendo anterior ao College of Arms da Inglaterra (aliás, o College of Arms apenas foi criado na Inglaterra nos tempos em que o heraldista português Roger Machado passou àquele Reino, e introduziu o sistema de diferenças heráldicas, copiadas do Cartório da Nobreza português). 

Criou-se um sistema de uso das condecorações das Ordens de Cavalaria na Heráldica, contudo muitas vezes o armigerante fazia uso distinto de suas condecorações em seus brasões. Postaremos a seguir o modo correto do uso das condecorações da Ordem nos Brasões d'Armas:

Servente:
Os Serventes (Donatos) da Ordem portam sua medalha diretamente da ponta do escudo

Cavaleiro:
Os Cavaleiros portam o Hábito da Ordem pendente de um nastro nas cores da Ordem (azul com orlas brancas) pendente da ponta do escudo

Comendador:
Os Comendadores portam a Comenda da Ordem pendente de uma fita que contorna o escudo

Grã-Cruz:
Os Grã-Cruzes portam a Banda da Ordem, da qual pende a sua condecoração

As condecorações utilizadas na presente publicação são obra de Paulo Roberto de Sousa Fernandes, Conde de Colle d'Agnese (que desenhou a a insígnia da Ordem) e de Andre Prinz von Trivulzio-Galli (que desenhou as fitas e bandas e colocações heráldicas). 

Proibida a reprodução sem a autorização expressa de Andre Prinz von Trivulzio-Galli. 

Para citação no Brasil (ABNT), usar:
PRINZ VON TRIVULZIO-GALLI, Andre. Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Blog de Cavalaria. 2018. Disponível em: http://www.blogdecavalaria.com/2018/04/ordem-militar-de-nossa-senhora-da.html acessado em (especificar a data do acesso ao site).

terça-feira, 24 de abril de 2018

A Imperial Ordem da Rosa



A Imperial Ordem da Rosa foi criada pelo Imperador Dom Pedro I do Brasil (que foi também Rei de Portugal como Dom Pedro IV e Duque de Bragança como Dom Pedro I) pelo Decreto Imperial de 17 de outubro de 1829. Dom Pedro I, com a criação da nova Ordem, queria perpetuar seu casamento com Sua Alteza Real Amélia de Beauharnais, Princesa de Leuchtenberg e de Eichstätt. 

A Ordem foi dividida em 7 Graus, sendo a mais ampla do Império Brasileiro. Uma curiosidade sobre ela era que, apesar da existência de um Grão-Colar na Ordem, não existia nela o posto de Cavaleiro do Grão-Colar. Outra curiosidade é que, fora o primeiro posto [Cavaleiro], todos os demais portavam a placa da Ordem. 

São os postos da Imperial Ordem da Rosa:

1 Cavaleiro;
2 Oficial;
3 Comendador;
4 Dignatário (em número não superior a 32);
5 Grande Dignatário (em número não superior a 16);
6 Cavaleiro da Grã-Cruz (em número não superior a 8);
7 Cavaleiro da Grã-Cruz Efetivo (em número não superior a 8);

Insígnias da Imperial Ordem da Rosa

Cavaleiro:

Oficial:

Comendador:

Dignatário:

Grande Dignatário:

Grã-Cruz:

Grã-Cruz Efetivo:

Usos heráldicos da Imperial Ordem da Rosa

A Monarquia Brasileira, apesar de sua longa história (tendo iniciado-se ainda em 1500, onde vale-se lembrar que o primeiro Monarca do Brasil foi o Rei Dom Manuel I de Portugal, da Dinastia de Avis), não foi capaz de desenvolver uma larga tradição heráldica. O Rei-de-Armas de Portugal foi também o Rei de Armas do Brasil até o ano de 1822, mais tarde nomeou-se como Rei-de-Armas a Possidônio Carneiro da Fonseca Costa, que serviu como Rei-de-Armas até o ano de 1853, quando então fora sucedido por Luis Aleixo Boulanger, contudo, não criou-se uma regulamentação específica do uso das condecorações das Ordens Imperiais, de modo que cada armigerante as portava em suas Armas ao seu bel prazer.

No intuito de dar uma correta visão heráldica à esta tão bela Ordem, passo a dispor as condecorações de uma maneira heraldicamente correta, bem como a manter o espírito do Decreto Imperial de 17 de outubro de 1829.

Cavaleiro:
Os Cavaleiro portam a sua Condecoração diretamente da ponta do escudo

Oficial:
Usam sua condecoração (que é sem a coroa imperial) pendente do nastro da Ordem

Comendador:
Usam sua condecoração (que leva a coroa imperial) pendente do nastro da Ordem

Dignatário:
Usam sua condecoração (que é sem a coroa imperial) pendente da fita da Ordem

Grande Dignatário:
Usam sua condecoração (que leva a coroa imperial) pendente da fita da Ordem

Grã-Cruz:
Usam sua condecoração (que leva a coroa imperial) pendente da banda da Ordem

Grã-Cruz Efetiva
Usam ao redor do escudo o Colar da Ordem

As condecorações utilizadas na presente publicação são obra do Sr. Raphael Vibancos Lisboa (que desenhou as rosas e as folhas), de Paulo Roberto de Sousa Fernandes, Conde de Colle d'Agnese (que desenhou a estrela e os escudetes) e de Andre Prinz von Trivulzio-Galli (que desenhou as fitas e bandas). 

Proibida a reprodução sem a autorização expressa de Andre Prinz von Trivulzio-Galli. 

Para citação no Brasil (ABNT), usar:
PRINZ VON TRIVULZIO-GALLI, Andre. A Imperial Ordem da Rosa, Blog de Cavalaria. 2018. Disponível em: http://www.blogdecavalaria.com/2018/04/a-imperial-ordem-da-rosa.html acessado em (especificar a data do acesso ao site).