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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Brasões da Casa Real da França / Coats of Arms of the Royal House of France

ATUALIZADO EM 09/04/2021

Por Sua Alteza Sereníssima
o Príncipe Don Andrea Prinz von Trivulzio-Galli
Conde de Dreux, Visconde de Beu, Príncipe do Sangue Capetíngio
18º Príncipe de Mesolcina
22º Duque de Venosa

Como é sabido por todos os Fieis Leitores do Corriere della Mesolcina, sou o Príncipe e Duque de Mesolcina, Chefe da Magnífica e Sereníssima Casa de Trivulzio-Galli, mas também sou heraldista há muitos anos (comecei a estudar a heráldica aos 9 anos de idade), bem como sou Monarquista até a medula de meus ossos. Mais até do que Monarquista, sou um Legitimista, em todos os usos desse termo, pois sei que não é útil um monarquia que advenha da revolução ou do golpe, uma Monarquia verdadeira deve ser, antes de mais nada, Legítima. 

Minha linhagem masculina e legítima (varonia) é Capetiana, já que descendo do Rei Luis VI, O Gordo. Meus antecessores, Príncipes de Mesolcina, recebeu numerosos títulos ao longo dos anos, alguns deles tornaram-se mais famosos, como os de Duques de Venosa e Marqueses de Vigevano, ambos couberam a Gian Giacomo II Trivulzio, que os recebeu do Rei Carlos VII da França em 1482. Como ambos são títulos hereditários, depois confirmados pelo Sacro Imperador Fernando II de Habsburgo, todavia, mantiveram sua natureza de títulos nobiliares franceses. 

Dessa forma, como um Príncipes do Sacro Império Romano-Germânico, mas também como um Príncipe do Sangue Capetíngio e Duque francês, sempre tive grande interesse pela Restauração da Monarquia na França, que como sabemos, é a Filha Primogênita da Igreja, e a mais antiga Monarquia da Europa (e perceba, Fiel Leitor, que a derrocada da Monarquia na França foi o princípio da derrocada de todas as demais Monarquias do Continente). 

Na França há hoje duas "correntes" monarquistas, aqueles que apoiam Jean d'Orléans, que são por isso chamados de "orleanistas", e aqueles que apoiam o Príncipe Luis de Bourbon, Pretendente Legítimo ao Trono da França, e por isso são chamados de Legitimistas. 

Segundo os orleanistas, os Bourbons perderam seus direitos ao Trono da França, pois descendem de Felipe V de Bourbon, Duque de Anjou, que tornou-se Rei da Espanha em 1º de novembro de 1700. O fato é que a Casa de Habsburgo e a Casa de Bourbon entraram em guerra para definir de quem era o Direito ao Trono da Espanha. Para por fim a Guerra de Sucessão Espanhola (como ficou depois conhecido esse conflito), Felipe V foi obrigado a assinar o Tratado de Utrecht, onde um dos artigos definia que Felipe V abandonaria para si e para seus descendentes seus Direitos ao Trono da França, o que foi absolutamente impossível e inválido, uma vez que a Monarquia Francesa era Sucessória, e não Hereditária, como as demais.

Isso quer dizer que na França o homem mais velho da linha mais velha da Casa Capetiana (descendentes agnatos de Hugo Capeto) herda o Trono da França, independente do que ocorra. Tal Lei, chamada de Lei Fundamental do Reino da França, garantiu o famoso "Milagre Capetiano", que salvou a França se crises sucessórias desde o século X.

Encerrando de vez os argumentos daqueles que apoiam as supostas pretensões do "Conde de Paris" (Duque d'Orléans) ao Trono da França, alegando que a renúncia que Felipe V foi obrigado a assinar pelo Tratado de Utrecht foi válida, lembro-os que Louis-Philippe d'Orléans, 5º Duque de Orléans, também RENUNCIOU A SEUS DIREITOS SUCESSÓRIOS para ser eleito pela Convenção da Revolução Francesa, se não vejamos a declaração que este mesmo Duque de Orléans fez:

"Je déclare que je déposerai sur le bureau ma renonciation formelle aux droits de membre de la dynastie régnante, pour m’en tenir à ceux de citoyen français."

Louis-Philippe d'Orléans, 5º Duque d'Orléans, chegou a afirmar, perante a Convenção, ser filho de uma relação adúltera de sua mãe, e dessa forma, não ter o sangue Capetíngio, assumindo o sobrenome de "Égalité" (Igualdade), passando formalmente a ser chamado de Philippe Égalité, como bem sabemos.

Para saber mais, recomendo esse site: http://www.viveleroy.fr/ e https://viveleroy.net/ , dois dos melhores sobre o assunto. 

Esclarecendo tais aspetos, passo agora a publicar os brasões dos membros da Dinastia Capetíngia, começando com Sua Alteza Real o Príncipe Luís XX de Bourbon, Duque d'Anjou, Chefe da Casa Real da França (como a lista é muito extensa, com mais de 120 nomes, blasonei apenas aqueles que possuem brasão de armas mais conhecido).

Casa de Bourbon (de França)

Brasão de Sua Alteza Real o Príncipe Luís XX de Bourbon,
Duque de Anjou,
Chefe da Casa Real da França, e Legítimo Rei da França, "Liutenant du Christ" (Lugar-Tenente de Cristo)

Brasão de Sua Alteza Real a Princesa Marie Marguerite, Duquesa de Anjou,
Consorte do Chefe da Casa Real da França.

Brasão de Sua Alteza Real a Princesa Maria del Carmen Martínez-Bordiú, Duquesa Viúva de Anjou, 2º Duquesa de Franco (por direito próprio), Mãe do Chefe da Casa Real da França.
Filha de Dona María del Carmen Franco, 1º Duquesa de Franco e de Don Cristóbal Martínez-Bordiú, 10º Marquês de Villaverde.

  Brasão de Sua Alteza Real o Príncipe Louis de Bourbon,
Delfim da França, Duque da Borgonha,
1º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.


  Brasão de Sua Alteza Real o Príncipe Alfonso de Bourbon,
Filho da França, Duque da Berry,
2º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.


  Brasão de Sua Alteza Real o Príncipe Henri de Bourbon,
Filho da França, Duque da Touraine,
3º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Casa de Bourbon-Espanha


  Brasão de Suas Majestades Católicas os Reis
Juan Carlos I da Espanha
4º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.
e Felipe VI da Espanha
5º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Casa de Bourbon-Sevilha

Os Duques de Sevilha são hoje os Primeiros Príncipes de Sangue da França, posição que antes cabia aos Príncipes de Condé (extintos em 1830), dessa forma propomos que utilizem tais Príncipes as Armas outrora cabíveis aos Príncipes de Condé:

Brasão atualmente utilizado pelos Duques de Sevilha

Brasão de Armas propostas para Francisco de Bourbon, Duque de Sevilha
Primeiro Príncipe de Sangue da França
6º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas propostas para Francisco de Paula de Bourbon, filho do Duque de Sevilha
Príncipe de Sangue da França
7º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.


Brasão de Armas propostas para Alfonso Gonzalo de Bourbon, Duque de Santa Elena
(como cabeça do segundo ramo dos Bourbon-Sevilha)
Príncipe de Sangue da França
12º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas propostas para Alfonso de Bourbon, filho do Duque de Santa Elena
Príncipe de Sangue da França
13º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Casa de Bourbon-Duas Sicílias (Ramo Hispano-Napolitano, com Direitos ao Trono do Reino de Navarra)


Brasões de Don Pedro de Bourbon-Duas Sicílias, Duque de Calabria
O primeiro, em sua condição de pretendente ao Trono das Duas-Sicílias
O segundo em sua condição de pretendente ao Trono de Navarra

herdou de sua avó a Princesa Alicia de Bourbon-Parma os Direitos Dinásticos ao Trono do Reino de Navarra
Em sua condição como Rei Titular de Navarra, é
Duque de de Albret e Beaumont, Conde de Foix, Bigorra, Armañac, e Rodez, Visconde de Marsan, Tursan, Gabardan, Nebouzan e Fesensaguet, Barão de Barbazan, Asparroz, Aspet, Barthe, Barous, Aure, Neste, Magnoac, Captieux, Château-Gontier y La Flèche, Castelão de Ham, La Fère y Marie e Visconde de Bearne e alodiais de Andorra, Donezan e suas terras dependentes
Chefe da Casa Real de Navarra, Grão-Mestre da Ordem Militar del Lebrel Blanco (Navarra), Príncipe de Sangue da França
19º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasões de Don Jaime de Bourbon-Duas Sicílias,
Duque de Noto,
o primeiro em sua condição de herdeiro da Casa das Duas-Sicílias
o segundo em sua condição de herdeiro da Casa de Navarra
Filho do Chefe da Casa Real das Duas-Sicílias e de Navarra
Príncipe de Sangue da França
20º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasões dos Príncipes Juan, Pablo e Pedro de Bourbon-Duas Sicílias,
Príncipes das Duas Sicílias,
Infantes de Navarra e Príncipes de Sangue da França,
Filhos do Duque de Calábria
21°, 22° e 23º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Casa de Bourbon-Duas Sicílias (Ramo Franco-Napolitano)

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Carlo de Bourbon Duas-Sicílias,
Duque de Castro, Chefe do Ramo Franco-Napolitano Casa Real das Duas-Sicílias
Príncipe de Sangue da França
24º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe François de Bourbon-Duas Sicílias,
Príncipe das Duas-Sicílias,
Príncipe de Sangue da França,
25º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Pe. Alessandro de Bourbon-Duas Sicílias,
Príncipe das Duas-Sicílias,
Príncipe de Sangue da França,
30º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Casa de Bourbon-Parma

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Carlos de Bourbon-Parma,
Duque de Parma e Piacenza, Chefe da Casa Ducal de Parma,
Príncipe de Sangue da França,
31º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Carlos de Bourbon-Parma,
Príncipe Piacenza, Herdeiro do Chefe da Casa Ducal de Parma,
Príncipe de Sangue da França,
32º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Jaime de Bourbon-Parma,
Conde de Bardi, Príncipe de Parma,
Príncipe de Sangue da França,
33º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Sixte Henry de Bourbon-Parma,
Príncipe de Parma,
Príncipe de Sangue da França,
34º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Casa de Bourbon-Luxemburgo (Bourbon-Parma-Nassau)

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Henri de Bourbon-Parma,
Grão-Duque do Luxemburgo,
Príncipe de Parma,
Príncipe de Sangue da França,
35º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Guillaume de Bourbon-Parma,
Grão-Duque Hereditário do Luxemburgo,
Príncipe de Parma,
Príncipe de Sangue da França,
36º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Félix de Bourbon-Parma,
Príncipe do Luxemburgo,
Príncipe de Parma,
Príncipe de Sangue da França,
38º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.


Casa de Bourbon-Parma


Brasão de Armas de Sua Alteza Real o Príncipe Philippe de Bourbon-Parma,
Príncipe de Parma,
Príncipe de Sangue da França,
53º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

de Sua Alteza Real o Príncipe Jacques de Bourbon-Parma,
Príncipe de Parma,
Príncipe de Sangue da França,
54º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

de Sua Alteza Real o Príncipe Joseph de Bourbon-Parma,
Príncipe de Parma,
Príncipe de Sangue da França,
55º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Casa d'Orléans

Os Príncipes da Casa d'Orléans não são descendentes de Luís XIV, mas sim de seu irmão, o Duque d'Orléans, por isso, não serão chamados de Bourbon, nome ao qual que não têm direitos. São todos descendentes de Philippe Égalité.

Os Orléans durante o Antigo Regime possuíam apenas o tratamento de Altezas Sereníssimas, não Altezas Reais, contudo o Rei Luís XVIII concede a Louis Philippe III d'Orléans, 6º Duque d'Orléans, o título de Alteza Real, contudo, tal título não aparece confirmado em seus descendentes, nem pelos Reis de França, nem pelos Chefes da Casa Real Francesa, dando a entender que os Orléans retornaram ao seu primitivo tratamento de Altezas Sereníssimas. 

Brasão de Armas de Sua Alteza Sereníssima Jean d'Orléans,
Duque de Orléans
(o referido príncipe adotou o título de "conde de Paris", todavia não tem qualquer direito a esse título. 
Príncipe de Sangue da França,
Enquanto Duque de Orléans, possui os títulos de:
Duque d'Orléans, de Chartres, de Valois, de Nemours e de Montpensier, Delfin d'Auvergne, Duque de Châtellerault, Par de França, Príncipe de Joinville, Conde de Dourdan e de Romorantin, Conde de Mortain, Conde de Bar-sur-Seine, Visconde d'Auge e de Domfront, Marquês de Coucy e de Folembray, Barão de Beaujolais, Senhor de Montargis
69º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.


Brasão de Armas de Sua Alteza Sereníssima Gaston d'Orléans,
Duque de Chartres
(título do herdeiro do Duque de Orléans)
Príncipe de Sangue da França,
70º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Casa d'Orléans-Bragança


Armas possivelmente utilizadas em França

Armas utilizadas no Brasil


Brasão de Armas de Sua Alteza Sereníssima Dom Pedro Carlos de Alcântara de Orléans-Bragança
3º Príncipe d'Orléans-Eu
Príncipe de Sangue da França,
84º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Sereníssima Dom Pedro Tiago de Orléans-Bragança
Herdeiro do Príncipe d'Orléans-Eu
Príncipe de Sangue da França,
85º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.



Casa Imperial do Brasil



Brasão de Armas de Sua Alteza Sereníssima Dom Luiz Philippe d'Orléans e Bragança
Príncipe de Orléans e Bragança
Príncipe de Sangue da França,
96º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Imperial Dom Bertand d'Orléans e Bragança
Chefe da Casa Imperial do Brasil
Recomendaríamos aqui que Dom Luís Gastão recebesse o título de 
de Nemours, ou ao menos o título de Duque de Santa Cruz
Para representar seu posto como Chefe dos Capetianos do Brasil
Príncipe de Sangue da França,
95º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Imperial Dom Antônio d'Orléans e Bragança
Príncipe Imperial do Brasil
Príncipe de Sangue da França,
96º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Dom Rafael d'Orléans e Bragança
Príncipe do Grão-Pará, Príncipe do Brasil,
Príncipe de Sangue da França,
97º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.


Casa de Orléans-Galliera (são também considerados Dinastas do antigo Principado de Mesolcina, sucedendo à Sereníssima Casa Principesca de Trivulzio-Galli em caso de sua extinção)


Brasão de Armas de Sua Alteza Sereníssima Alfonso d'Orléans-Bourbon, Duque de Galliera
Príncipe de Sangue da França,
109º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.


Brasão de Armas de Sua Alteza Sereníssima Alvare d'Orléans-Galliera
Príncipe de Sangue da França,
110º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Sereníssima Alvare-Jacques d'Orléans-Galliera
Príncipe de Sangue da França,
111º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Sereníssima André d'Orléans-Galliera
Príncipe de Sangue da França,
112º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Sereníssima Alois d'Orléans-Galliera
Príncipe de Sangue da França,
113º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

Brasão de Armas de Sua Alteza Sereníssima Alfonse d'Orléans-Galliera
Príncipe de Sangue da França,
114º na Linha de Sucessão à Chefia da Casa Real da França.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Ordens Dinásticas Femininas / Female Dynastic Orders



Há mais de um ano o Blog de Cavalaria iniciou uma série de textos sobre as Ordens de Cavalaria. O primeiro texto, que teve por título Ordens de Cavalaria-Religiosas-Militares e Ordens Honoríficas: qual a diferença? (clique para acessar) foi um verdadeiro sucesso, tendo mais de cinco mil leitores apenas na primeira semana, e mais de 60 mil "cliques" no primeiro mês. Avançamos depois para o tema Ordens de Cavalaria Dinásticas: o que são? sendo também um grande sucesso de público. O terceiro texto da série que ficou conhecida como "Curso ORDENS DE CAVALARIA & ORDENS HONORÍFICAS" teve como título Ordens de Cavalaria Dinásticas de Inspiração Religiosa-Militar. Agora avançamos para um novo texto, em que trataremos acerca das Ordens "de cavalaria" destinadas apenas às mulheres, chamadas por vezes de Ordens para Damas.

Uma Damenorden (expressão alemã que quer literalmente dizer "Ordem de Damas") é uma Ordem de título Dinástica exclusiva para o público feminino. Tais Ordens geralmente são apenas concedidas a Damas Nobres, ou raramente, também àquelas não Nobres.

Poder-se-ia dividir as Ordens Femininas em duas tipos, as chamadas "Ordens da Família Real" e as Ordens de Damas Nobres, propriamente ditas.

Ordens ditas da Família Real

As ordens que são intituladas "Ordens da Família Real" (do inglês Royal Family Order) são grupos de Ordens criadas por algum Soberano e que apenas são concedidas durante a vida deste mesmo Monarca, já que, são constituídas como presentes próprios de sua Real Pessoa. 

Ordem da Família Real de Elizabet II do Reino-Unido

As Royal Family Order podem ser subdividas internamente em Classes, ou mesmo ter uma única classe. Diferente das Ordens de Damas Nobres, que são "regulares" no sentido de obedecerem um Estatuto previamente criado e aprovado, no qual se estipulam regras para nomeações, as Royal Family Order não o fazem, tanto que não há anúncio público de que uma mulher a recebeu: a única forma de saber se uma Dama foi com ela agraciada, é ver tal Dama a utilizando publicamente. Este sistema é capaz de gerar sérias dúvidas, uma vez que caso uma Dama seja agraciada com ela, mas nunca a use publicamente, é impossível alguém afirmar posteriormente que ela a recebeu. 

Uma característica própria de uma Royal Family Order é que sua condecoração sempre terá a imagem do Monarca que a criou.

Ordem da Família Real do Rei Gustavo V da Suécia

Na Suécia, onde esse grupo de ordens é mais antigo, geralmente são subdivididas em 3 Classes, assim seus três Graus são concedidos:

- Dama de 1ª Classe: Para a Rainha Consorte, Rainha Viúva e Princesas Suecas. 
- Dama de 2ª Classe: Para as Consortes dos Príncipes Suecos.
- Dama de 3ª Classe: Para as Damas da Corte Real Sueca. 

Ordens "regulares" de Damas

As ordens ditas "regulares" são as Ordens de Damas propriamente ditas, criadas com Estatutos que lhe definem o funcionamento, postos e possíveis categorias. 

Laço e condecoração da Ordem da Cruz Estrelada, a mais antiga das Ordens de Damas Nobres do mundo

A mais antiga das Damenorden's foi a Ordem da Cruz Estrelada (Hochadeliger Frauenzimmer-Sternkreuzorden em alemão) criada pela Imperatriz Eleonora Gonzaga, esposa do Sacro Imperador Romano-Germânico Fernando III de Habsburgo. Tal Ordem teve por matriz a devoção da Imperatriz a relíquia da Vera Cruz, mantida pela Casa Imperial, salva milagrosamente de um incêndio que devastou a Tesouraria Imperial. Tal Ordem foi criada em 18 de setembro de 1668 e é apenas concedidas a Condessas e Princesas austríacas. Sua Grã-Mestra é sempre uma Arquiduquesa da Casa Imperial de Habsburgo, sendo a atual Sua Alteza Imperial & Real a Arquiduquesa Gabriela von Habsburgo. 

A Ordem da Caveira Dourada, foi constituída em 1709 por Luisa Isabel da Saxônia, Duquesa Consorte de Wurtenberg. Teve curta duração e logo foi extinta.

Catarina I, com as condecorações da Ordem de Santa Catarina

A Ordem de Damas de Santa Catarina foi criada por Pedro O Grande, Imperador da Rússia,  em 1714. Foi uma das mais famosas Ordens de Damas. Dividida em duas Classes, a saber:

- Dama de Grã-Cruz: Para as Princesas Russas ou Princesas Russas por casamento e mais 12 mulheres da alta Nobreza russa.

- Dama: Em número nunca superior a 94 Damas, era reservada para as Damas das famílias da Nobreza Russa que estivessem mais próximas a Imperatriz. 

Desenho da Condecoração da Ordem de Santa Isabel da Baviera

A próxima Ordem de Damas a ser criada foi a Ordem de Santa Isabel, (em alemão St. Elisabethen-Orden) criada no Principado-Eleitoral da Baviera em 18 de outubro de 1766. A Ordem foi criada em homenagem a Eleitora Isabel Augusta von Pfalz-Sulzbach, esposa do Eleitor Carlos IV Teodoro da Baviera. Para fazer parte dessa Ordem a Dama precisava comprovar 16 gerações de antepassados Nobres. Tal Ordem é concedida até nossos dias pelo Chefe da Casa Real da Baviera.

Desenho das condecorações da Ordem das Damas Nobres de N. S. Auxiliadora

Logo em seguida foi criada a Ordem das Damas Nobres de Nossa Senhora Auxiliadora, (em alemão Orden der Edlen Damen von St. Maria Hilf ou Hilfnorden) criada pelo Príncipe Domenico II Trivulzio-Galli em 1770 para comemorar seu casamento com a Marquesa Maria Gabriella Alexandra Scarampi. O Grão-Magistério dessa Ordem sempre coube às Princesas Consortes de Mesolcina. Sua Atual Grã-Mestre é Sua Alteza Sereníssima Dona Rosa Boni e Trivulzio-Galli, Princesa Consorte de Mesolcina, esposa do Príncipe Angelo II Trivulzio-Galli, 13º Príncipe de Mesolcina. A Ordem é dividida em quatro Classes, que são:
- Damas Nobres do Grão-Colar (em número não superior a 21 Damas);
- Damas Nobres da Grã-Cruz;
- Damas Nobres Grades-Oficiais; e
- Damas Nobres.

Desenho da Cruz da Ordem das Damas Nobres de Maria Luisa.

A próxima Ordem de Damas a ser criada foi a Ordem das Damas Nobres de Maria Luisa, criada em 1792 pelo Rei Carlos IV da Espanha, para que sua esposa a Rainha Maria Luísa Farnese de Parma, pudesse recompensar as Damas que mais se destacaram em seu serviço pela Rainha Consorte da Espanha. Foi limitada a 30 Damas. A última nomeação para essa Ordem deu-se por Juan III, Conde de Barcelona, que em 1962 a concedeu a sua nora, a posterior Rainha Sofia da Grécia, que casou-se com seu filho Juan Carlos I. No Reinado de Juan Carlos I nenhuma Dama recebeu a concessão dessa Ordem, e até a presente data, nem o Rei Felipe VI a concedeu. 

Banda da Ordem da Rainha Santa Isabel de Portugal

Em 1801 fora criada pela Rainha Maria I de Portugal a Ordem Real de Santa Isabel. Sua primeira Grã-Mestre fora a Carlota Joaquina, à época Princesa Consorte do Brasil. Seus Estatutos foram fixados pelo Alvará de 25 de abril de 1804. Foi costumeiramente concedida às senhoras da Nobreza portuguesa. Sua atual Grã-Mestra é Sua Alteza Real Dona Isabel de Herédia, Duquesa Consorte de Bragança, esposa de Dom Duarte Pio, Duque de Bragança. 

Condecoração da Real Ordem Prussina de Louise

A Real Ordem Prussiana de Louise (em alemão Königlich Preußische Louisenorden ou Luisenorden) foi criada em 03 de agosto de 1814 por Friedrich Wilhelm III, Rei da Prússia, em homenagem a sua esposa a Rainha Louise zu Mecklenburg-Strelitz. Seu número foi limitado em cem Damas da Nobreza Prussiana. 
A Ordem era dividida em duas Classes. 

Condecoração da Ordem de Theresien da Baviera

Em 12 de dezembro de 1827 fora criada a Ordem Real de Theresien pelo Rei Ludwing I da Baviera para homenagear sua esposa a Rainha Therese Charlotte Luise Friederike Amalie von Sachsen-Hildburghausen. Originalmente a Ordem foi restrita a 12 Damas, número depois ampliado para 18. Posteriormente a Ordem foi dividida em 3 Classes:
- Cruz com Coroa e Brilhantes;
- Cruz com Cifra e Brilhantes;
- Cruz simples.

Ordem de Sidonien

A próxima Ordem de Damas a ser criada foi a Sidonien-Orden, criada em 31 de dezembro de 1870 pelo Rei Johann da Saxônia. A Ordem tinha apenas uma classe e era concedida principalmente para aquelas mulheres que lutaram na Guerra Franco-Prussiana. 

sábado, 1 de julho de 2017

Heráldica italiana: uma guerra entre dois chefes

Por Sua Alteza Sereníssima 
o Príncipe Don Andrea III Prinz von Trivulzio-Galli
18º Príncipe de Mesolcina e do Sacro Império Romano-Germânico, Conde-Duque d'Alvito, Marquês de Castel Goffredo, Conde de Melzo, etc.

Nenhum povo viveu a Guerra e a Heráldica com mais intensidade que o povo da Península Itálica, região onde as fortunas das grandes Famílias da Nobreza estavam transversalmente ligadas às venturas que os Condottieres Militares pudessem trazer às suas famílias. 

A maior e mais dura guerra europeia foi, sem dúvidas, a travada entre Guelfos e Gibelinos, luta fratricida que durou entre os século XII ao XIV, e que dividiu a Península Itálica entre ambos os partidos.

Stemma Angiò (Brasão de Anjou)
símbolo heráldico adotado pelos Guelfos


Em termos gerais os Guelfos eram aqueles que apoiavam a supremacia Papal na Itália, de modo que as cidades formassem Comunes (município), governadas por pequenos "senados cumunais". Já os Gibelinos eram os que apoiavam a supremacia Imperial na Itália e que as cidades formassem Senhorios, governadas por famílias principescas, como pequenas Monarquias.

A razão que fazia a Igreja apoiar que as cidades formassem Comunes era que dessa forma, seriam governadas por uma liga de cidadãos, que respeitariam um estatuto prévio, muito semelhante ao que ocorria nos Conventos Católicos. Já o Império, ao defender que as cidades formassem Senhorios, estavam garantido ao Sacro Imperador Romano-Germânico a obediência e a vassalagem desses mesmos Senhores. 

Stemma dell'Impero (Brasão Imperial)
símbolo heráldico que representava os Gibelinos


Como para os povos italianos, tudo poderia ser representado pela heráldica, ambos os lados combatentes adotaram como emblemas heráldicos os brasões utilizados na Batalha de Benevento, travada em 1266, em que Carlo I d'Anjou (d'Angiò) liderou as tropas Guelfas na luta contra as tropas Gibelinas, lideradas por Manfredo de Hohenstaufen, então Rei da Sicília e Príncipe da Suábia. 

 
            Brasão de Carlo I d'Anjou      Brasão de Manfredo de Hohenstaufen

Na luta não estava apenas em jogo a divisão entre a supremacia Papal ou a supremacia Imperial, mas também se lutou pela Coroa da Sicília, que era até então propriedade da Casa de Hohenstaufen, também chamada de Casa da Suábia, de onde provinha o Sacro Imperador Romano Frederico Barbarossa. A Batalha de Benevento teve por vencedor Carlos d'Anjou, que tornou-se assim Rei da Sicília.

Os Guelfos, para comemorar a vitória de seu líder sobre o líder dos Gibelinos, passaram a adotar um chefe heráldico chamado de "Capo d'Angiò" (Chefe de Anjou), de blau, um lambel de goles de quatro pendentes, acompanhado de três flores-de-lis de ouro. Tal chefe nada mais era do que a parte superior do próprio brasão de Carlo d'Angiò. 

Brasão da Família Alioti, com o Capo d'Angiò

Família Ardinghi (da Toscana)

Família Baldinucci (de Prato)



Os Gibelinos, como não poderia ser diferente, em contra-partida adotaram como Chefe Heráldico o chamado "Capo dell'Impero", que era composto por um campo de ouro (ou raramente, de prata), carregado d'uma águia estendida de sable (preto). De início a águia apresentava uma só cabeça, mas a partir do século XVI passou a ser também representada por duas cabeças, com ou sem coroa, sendo ela do campo ou de sable.

Família Galli (de Como), Condes e Duques de Alvito, que apesar de sua varonia capetiana, foram Gibelinos e ostentaram o Capo dell'Impero em seu brasão.

Família Appiani (de Turim) Condes de Pino

Família Annoni (de Milão) Condes de Gussola


Dizia-se que a Guerra entre Guelfos e Gibelinos era uma guerra que dividia as próprias famílias, já que, não era raro que primos, ou mesmo irmãos, colocassem-se em lados opostos na luta. Isso, é claro, tinha de ser registrado na Heráldica:

Família Accarisi, com o brasão representando seus familiares Gibelinos

Família Accarisi, com seu brasão representando seus familiares Guelfos


Após o fim da Dinastia da Suábia, a chefia do Partido Gibelino recaiu sobre os Visconti, Duques de Milão, que expulsaram os Della Torre, comprometidos com o partido Guelfa e tomaram assim o controle de Milão e de todo o Norte da Itália, espalhando os ideais Gibelinos.

Brasão dos Visconti, Duques de Milão, e depois dos Visconti-Sforza, Duques de Milão (com o Capo dell'Impero).

Brasão dos Della Torre, antigos Senhores de Milão (com o Capo d'Angiò).


Era comum que uma família Gibelina, apenas fizesse casamentos com outras famílias Gibelinas, política esta também seguida pelo lado Guelfo. Desta forma, surgiram brasões bastante carregados, mas sempre com os mesmos Chefes: 

Brasão pintado por Marco Foppoli, onde pode-se ver quatro versões do Capo dell'Impero (I águia bicéfala estendida de sable e coroada em campo d'ouro, II águia bicéfala estendida de sable e coroada d'ouro em campo de prata, III águia estendida de sable em campo d'ouro, IV águia bicéfala estendida de sable em campo d'ouro).

Ao final da luta entre Guelfos e Gibelinos não se pode precisar um lado definitivamente vencedor, pois, se os Guelfos venceram mais batalhas, foram os Gibelinos que conseguiram vencer no campo da política, influenciando no fim dos sistema comunal das Cidades e no domínio das Senhorias. Todavia os Guelfos conseguiram afastar o domínio dos Sacro Imperadores da Itália, todavia, os Gibelinos impediram que os Papas firmassem seu domínio na política peninsular... Desta forma, é pois impossível afirmar que lado mais ganhou, ou que lado mais perdeu...