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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Diga NÃO à "missa crioulla", diga SIM à Missa Católica





É interessante ver, nestes dias que antecedem à Semana Farroupilha, isto é, aos dias (muitos mais dos que os de uma semana apenas) que antecedem ao dia 20 de Setembro, memória eterna e infalível dos milhares da Gaúchos que pelearam e morreram na tentativa de fazer a secessão entre a então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul e o Império do Brasil.

Esta magnífica data é celebrada todos os anos, nos últimos 150 anos, para sempre lembrar que “povo que não tem virtudes, acaba por ser escravo”, como tão bem diz a estrofe do Hino do Rio Grande do Sul, que foi ilegitimamente suprimida pelo governo militar, mas que parece que poucos Gaúchos se empenham em resgatar.

Porém grande espanto causa aos tradicionalistas gaúchos, que de alguns anos para cá, novos “elementos e cerimônias” vem sendo acrescidos às celebrações do 20 de Setembro, elementos estes que em nada tem a ver com a Cultura Nativista.

Um destes elementos, possivelmente o mais daninho, é a chamada “missa crioulla”, uma celebração deveras estranhas, na verdade uma paródia de mau gosto da Santa Missa Católica, que é, por vezes, bradada em plenos pulmões por muitos “nativistas”, como se fosse algo “sagrado” para a Cultura e para a Religião. Mas NÃO É.

Isto não é uma Missa, é uma paródia, e muito sem graça, do Santo Sacrifício.


São dois os grupos que defendem a “missa crioulla”, os TRADICIONALISTAS, e os RELIGIOSOS, vamos a seus argumentos:

OS TRADICIONALISTAS:
Pragam que a “missa crioulla” é a expressão da tradição da Cultura Gaúcha, logo, deve ser celebrada na Semana Farroupilha. Este argumento não é verdadeiro, pois sabemos bem que o conceito de Tradição Gaúcha é o seguinte “Conjunto de atos e costumes que moldaram a Cultura do Rio Grande do Sul e do povo que nele viveu ao longo dos séculos, principalmente aquela advinda entre os anos de 1835 a 1930”. Desta forma vemos que a tradição gaúcha se refere aos fatos históricos que realmente moldaram a cultura dos habitantes do Rio Grande do Sul, nos períodos entre o início da Revolução Farroupilha (1835) até o fim da Revolução Federalista (1930).
A “missa crioulla”, porém, não vem deste período histórico, ao contrário, ela vem do período mais recente possível. As primeiras “missas crioullas” foram celebradas há menos de 30 anos (alguns dizem menos de 20 anos), de modo que não passam nem de longe do período Tradicionalista da história gaúcha, que deve sim ser respeitado.

OS RELIGIOSOS:
Este grupo, é deveras, o mais perigoso. Formado majoritariamente por padres e religiosos que, por não terem o devido apreço e respeito ao Santo Sacrifício da Missa, celebram a “enculturação” do Rito, de forma a realizar, na verdade, uma paródia do que é Santo, fazendo-o contudo, tornar-se mundano.

Defendem que a “missa crioulla” é válida, porém não conseguem explicar o motivo de não estar inscrita no Rol do Missal Romano. E se não está no Missal, como pode ser Missa? É sabido que para a Missa ser válida é necessário que seja seguida à risca, como prescreve o Missal (como se diz em linguagem se Sacristia, fazer o que está em vermelho, ler o que está em preto), porém o que dizer de uma cerimônia em que foram mudadas todas as palavras do Missal?

Ainda, é sabido pelos Canonistas que para que algum clérigo passe a utilizar paramentos diferentes daqueles prescritos pela Igreja para celebrar determinado Rito, é necessário um instrumento chamado de PRIVILÉGIO APOSTÓLICO, isto é, um Privilégio específico, dado pelos Papas para que alguma Congregação, ou Igreja Particular use de paramentos diferentes. Pergunta-se então: onde está o Privilégio Apostólico dado aos padres que rezam a “missa crioulla” para substituíram a alva e a casula, por um poncho e lenço?

DESTA FORMA, conclui-se que o Tradicionalismo Gaúcho, bem como o Catolicismo, somente são bons se mantidos suas Tradições próprias, pois ambos, quando são modernizados, perdem a essência, e a “missa crioulla” é uma modernização que faz perder tanto a essência do Gauchismo, como do Catolicismo, pois não é bom nem para um, menos ainda para o outro.



Esta sim, a verdadeira Missa Tradicionalista, celebrada durante a vida de todos os grandes homens da história do Rio Grande do Sul.

Assim conclui-se dizendo que se tu fores um bom Tradicionalista, que preza pela verdadeira Cultura Gaúcha, pergunta aos teus pais ou avós, ou ainda, ao mais antigo do teu CTG como era a Santa Missa que ele frequentava com os pais dele na infância, como era a Missa de Sempre? Ele logo vai te responder que era a Santa Missa, em latim, com o Padre lindamente paramentado (“vestido como um Rei, humilde como um camponês”), e que todos olhavam para o mesmo lado, inclusive o Sacerdote!.

Comprovação de que a Missa Tridentina sempre foi a Missa da cultura gaúcha: foto de uma Missa Campal tirada em 1935 durante os Festejos do Centenário da Revolução Farroupilha, na Vila de Barril, então Palmeira das Missões, hoje Frederico Westphalen-RS. Missa celebrada pelo Mons. Vitor Batistella, Cavaleiro-Capelão da Sacra Ordem Dinástica, Equestre, Militar e Hospitalar da Milícia de Jesus Cristo e de Santa Maria Gloriosa.
(CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR)

Se tu fores o Patrão de algum CTG, e quiserdes que teus correligionários assistam a mesma Missa que assistiram os grandes nomes da história Gaúcha, como Bento Gonçalves, o Marquês de Tamandaré, o Barão do Herval, o Coronel Gomes Carneiro, o Barão de Iaqui, Borges de Medeiros ou Assis Brasil, procure um Padre que reze a Santa Missa Tridentina, pois foi esta a Missa que era rezada para todos estes grandes homens da história gaúcha, que jamais, em suas vidas, assistiram a uma única “missa crioulla”, mas assistiam, porém a Missa Católica.

Tenente Portela, RIO GRANDE DO SUL, 19 de setembro de 2014.
Andre Prinz von Trivulzio-Galli.   

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

São Luís IX, Rei da França e a Sacra Milícia de Jesus Cristo e de Santa Maria


Hoje é dia de São Luís IX, Rei da França e Conde de Artois. Este importante Santo da Igreja foi um dos maiores defensores dos Cristãos perseguidos pelos muçulmanos, chegando a liderar a VII Cruzada contra estes infiéis.

São Luís IX foi o responsável por trazer do Oriente para a Europa a Sacra Coroa de Espinhos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Este Sacratíssimo objeto foi adquirido pelo Rei Santo pela altíssima soma de 135 mil libras de ouro (um valor tão alto que poderia ser utilizado para erguer pelo menos 4 castelos de médio porte!). Também São Luís comprou do Imperador Balduíno II (que lhe havia vendido a Sacra Coroa), um pedaço da Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Após São Luís IX levar os santos objetos do Martírio de Nosso Senhor para Paris, construiu para os guardar uma belíssima capela, em estilo gótico alto decorado. Esta magnífica capela foi construída pela alta soma de 60 mil libras de ouro, que apesar de ser um alto valor para a época, foi apenas a metade do valor da Sacra Coroa.

São Luís necessitava de uma guarda fiel, que pudesse manter em segurança os Sacros Objetos. Manteve então contato com o Beato Bartolomeo de Breganze, Bispo de Vicenza (Itália), que nesta época era o Grão-Mestre da Ordem da Milícia de Jesus Cristo e de Santa Maria Gloriosa. Os Santos haviam se conhecido em plena Cruzada, uma vez que o Beato Bartolomeo havia sido designado Delegado Papal para Jerusalém no período em que São Luís lá esteve. 

Nascia assim uma eterna aliança entre a Milícia de Jesus Cristo e o Rei São Luís. A Ordem designou um grupo de Cavaleiros Professos, todos de origem e Sangue Nobre italiano, que seriam os responsáveis por manter a segurança da Sacra Coroa. Este grupo passou a ser conhecido como "Sacra Milícia", uma vez que eram os responsáveis pela segurança dos objetos da Paixão de Nosso Senhor. 


Os Cavaleiros que faziam a Guarda da Sacra Coroa utilizavam como adereço próprio um grande colar, feito em ouro maciço, formado por círculos onde encontrava-se a representação da Sacra Coroa, e pela dupla Flor-de-Lis, símbolo de São Luís. Até hoje este Colar é utilizado, com poucas modificações, pelos Cavaleiros do Grão-Colar da Ordem.  

Mosaico de mármore, que se encontra na Igreja della Sacra Corona, em Vicenza, onde monstra São Luís IX entregando o Espinho da Sacra Coroa ao Bem-Aventurado Bartolomeo de Breganze.

O Rei Santo, em prova de sua lealdade, deu ao Bem-Aventurado Grão-Mestre da Sacra Milícia um dos Preciosíssimos Espinhos da Sacra Coroa. Este espinho é até hoje guardado na magnífica Basílica construída pela Ordem para este fim na cidade de Vicenza, antiga Sede da Ordem. Também foram dado pelo Santo Rei um pequeno fragmento da Santa Cruz. Até hoje esta Relíquia é guardada pela Casa Principesca de Trivulzio-Galli, Grão-Mestres Hereditários da Ordem desde 1565.


O Bem-Aventurado Bartolomeo de Vicenza Investiu o Rei São Luís como Cavaleiro da Sacra Milícia de Jesus Cristo e de Santa Maria Gloriosa, sendo que, o Santo Rei foi sepultado com a Cruz Branca, antigo símbolo da Ordem. 

sábado, 2 de agosto de 2014

Relações Feudais

Fiéis Leitores do Blog de Cavalaria, o texto desta semana, nos remete a um dos mais importantes mistos de pacto social e juramento religioso que já existiu, o chamado PACTO FEUDAL.


O Pacto Feudal surgiu no início do Medievo, quando após a Primeira Queda do Império Romano no século V, os proprietários de terras da península itálica (antigos Senhores, provenientes da classe senatorial romana), passaram a receber as propriedades de seus vizinhos, em troca de proteção contra os bárbaros vindos do Norte; esta troca, era chamada de PACTUM. Logo, este Pacto de proteção passou a ser oferecida aos simples trabalhadores, que, em troca de seu trabalho nas terras do senhor, passaram a receber proteção e abrigo. Nascia assim o SISTEMA FEUDAL.    

Com o Bem-Aventurado Carlo I, chamado de O Magno (“O Grande”) ressurgiu no ano 800 o Império Romano do Ocidente, que duraria mais exatos 1006 anos. Com a volta deste Santo Império, Carlos Magno e toda a sua Dinastia, chamada de Carolíngia, da qual a Casa Principesca de Trivulzio-Galli constitui o último ramo masculino direto existente, passaram a adotar o sistema de Pactos oriundos da Itália, sendo que os Feudos Carolíngios foram distribuídos primeiramente entre os filhos e netos de Carlos I, depois aos seus Generais e Capitães, e depois aos seus valentes soldados. Era o início do Nobreza Medieval.



Estes senhores passaram a receber títulos que indicavam a sua posição dentro do Sacro Império Romano, os Senhores de pequenos Feudos foram chamados de Barões, palavra proveniente do alemão, onde é escrita como Freiherr, que quer dizer literalmente Senhor Livre (Frei= Livre/ Herr= Senhor). Os Senhores de feudos maiores passaram a ser designados Condes, palavra proveniente do Latim Comites, que eram os companheiros de guerra mais próximos do Imperador. Os Condes, cujo feudo ficava na fronteira do Sacro Império com as nações bárbaras, locais designados como “Marcas” passaram a ser designados Marqueses, palavra proveniente do alemão Markgraf, que quer dizer literalmente “Conde das Marcas”. Já os senhores de grandes extensões de terras, passaram a ser titulados de Duques, palavra proveniente do Latim “Dux”, ou sejam “Aquele que Conduz, Dirigente”.


Os Pactos Feudais, também chamados de Pactos de Vassalagem, passaram então a ocorrer da seguinte forma: O Imperador empossava os grandes Senhores, Duques, Marqueses ou Condes, que se tornavam então VASSALOS do Imperador e estes, podiam então empossar outros Vassalos em seus domínios, que podiam também empossar novos vassalos, e assim por diante; em uma pirâmide de vassalos, cujo maior Suserano era o Imperador, que devia obediência somente ao Papa.

Com o passar do tempo, os Senhores Feudais que eram Vassalos somente do Sacro Imperador, passaram a ser chamados de PRÍNCIPES, palavra latina que se escreve originalmente como PRINCEPS, e que quer dizer literalmente “o Primeiro”. Isto é devido pois os Príncipes eram os primeiros Vassalos do Imperador de Roma. Estes Príncipes passaram a ser chamados de Altezas e Sereníssimos, isso pois eram os mais Altos entre os Vassalos do Imperador, e a Serenidade que portavam vinha diretamente da Graça de Deus.


Os Príncipes podiam Investir vassalos em seus Feudos, chamados de Principados. Estes Vassalos dos Príncipes podiam ser intitulados como Condes, ou Barões, dependendo o caso. Também os Príncipes, na qualidade de Vassalos Direitos do Imperador, podiam investir Cavaleiros de suas Milícias particulares, que tinham a função de manter a ordem interna no Feudo, e em lutar exteriormente em nome de Sua Alteza.   

O Pacto Feudal que unia então os Príncipes a seus Vassalos era o de que o Príncipe concederia de início terras e títulos, e depois somente títulos, a um de seus vassalos, e este deveria lhe pagar uma alta quantia em dinheiro que fosse especificada, e sempre deveria prestar ao Príncipe os serviços e favores que lhe fossem ordenados. Em troca o Príncipe acolheria o novo Conde ou Barão em seu serviço, lhe emprestando fama e prestígio.



Atualmente os Príncipes do Sacrossanto Império Romano-Germânico, continuam a manter suas cortes particulares, concedendo esporadicamente títulos de Condes, Barões ou Cavaleiros, porém deve-se sempre ter a noção de que os Príncipes CONCEDEM os títulos, ou seja, a PROPRIEDADE do título, sempre permanece nas mãos do Concedente, ou seja, o Príncipe. O Concessionário somente tem o uso e o gozo do título. Mesmo em caso dos títulos hereditários, os Príncipes Concedentes apenas passam, de pai para filho, a condição de concessionários de um título de nobreza, e não a de proprietários deste título.


Assim, é plenamente possível que um Príncipe revogue qualquer concessão de título que tenha feito, independente de qualquer contrapartida que tenha recebido, uma vez que o que o titular tem é mera posse de uma propriedade imaterial de uma Casa Principesca. Por este motivo aconselhamos sempre que, quando um Príncipe solicita que um Barão ou Conde de sua Corte faça algo, é melhor que este o faça o mais breve possível, pois o proprietário sempre pode reclamar sua propriedade de volta, e no direito nobiliar não se aceita o “usucapião de títulos nobres”.  

Boa tarde a todos.

Andre III Trivulzio-Galli,
14º Príncipe Titular de Mesolcina e do Sacrossanto Império Romano-Germânico.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

São Tiago Mata-Mouros





Hoje é o dia de São Tiago Maior, que é conhecido na Espanha como São Tiago Mata-Mouros ou ainda “São Tiago Matador de Muçulmanos”, mas qual é o motivo de tal devoção espanhola?
No ano de 850 os muçulmanos, vindos da África, assediavam os Católicos, habitantes da Península Ibérica, e os agrediam nos mesmos moldes que hoje os muçulmanos agridem os Católicos no Iraque e na Síria.
Como desgraça pouca é bobagem, um novo emir assumiu o poder e resolveu retomar um antigo costume: exigir, como tributo anual, que os cristãos dos reinos do norte lhes entregassem 100 moças virgens, que lhes serviriam como escravas sexuais – 50 fidalgas e 50 plebeias.

Já era esperado que os cristãos, com o ânimo abatido e complexo de inferioridade em relação aos muçulmanos, vulgarmente chamados de “mouros”, aceitassem pagar o infame tributo sem resistência. Porém os Católicos se revoltaram, e pediram auxílio ao Rei Ramiro I, das Astúrias e Galícia, que decidiu auxiliar os seus irmãos na Fé.


Mas não basta coragem para vencer uma batalha. Refugiado em La Rioja, o exército de Ramiro I estava acuado. Porém, São Tiago Apóstolo apareceu ao rei em sonho, garantindo que auxiliaria os Cristãos em sua luta contra os hereges e pagãos muçulmanos. E assim foi: durante a batalha em Clavijo, os soldados cristãos avistaram um homem desconhecido cavalgando sobre um cavalo branco, que distribuía espadadas e fazia cair os mouros por terra.

Ramiro I reconheceu que aquele era São Tiago Maior, que veio cumprir a promessa que lhe fizera em sonho e dar-lhe a vitória. Era o fim da era da vergonha, humilhação e fracasso dos espanhóis sob a espada dos sarracenos.


Outros testemunhos de aparições de Santiago Mata-Mouros em campos de batalha se repetiram, multiplicando as vitórias dos cristãos. Por isso, o santo tornou-se o maior símbolo da expulsão dos invasores muçulmanos da Península Ibérica. A Catedral em que repousam seus restos mortais passou a atrair peregrinos vindos de toda a Europa. Também se popularizou a prática de percorrer o Caminho de Santiago, ou seja, a rota dos lugares por onde o Santo passou quando vivo, em missão por aquelas terras.

Hoje os muçulmanos estão novamente em sua assanha de perseguir e matar os Católicos, agora não mais na Espanha, e sim no Iraque e na Síria. Os caminhos onde os primeiros Católicos pregaram, há dois mil anos, agora são proibidos aos Cristãos pelos malévolos muçulmanos, que lutam por uma bandeira de um falso “califado”.


Não tardará para que estes mouros passem suas ofensivas para demais países do Oriente Médio, e depois para à África, novamente chegando à Europa, isso se, nenhum Rei valente (em nosso contexto atual, qualquer governante vale, ok!?) como Ramiro I, tomar as forças de batalha contra eles, novamente chamando São Tiago Mata-Mouros a defender os Cristãos perseguidos.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

A Rosa Dourada, Emblema da Casa Principesca de Mesolcina





Qual o motivo de ser uma rosa dourada o emblema heráldico da Casa Principesca de Mesolcina, também chamada de Casa Principesca de Trivulzio-Galli? Esta pergunta tem sido feita por muitas gerações de heraldistas, sendo que muitas lendas foram levantadas para tentar elucidar tal questão.

É muito comum que as Casas Principescas da Europa, por muitas vezes terem brasões de armas muito complexos, adotarem em emblema heráldico para simbolizar a Casa, de modo a conservar o Brasão apenas para ocasiões mais solenes.

Assim foi que os Duques de Lancaster adotaram pela primeira vez uma rosa vermelha como símbolo de sua linhagem. Para combater a rosa vermelha, surgiu a rosa branca, dos Duques de York. Na realidade o primeiro Duque de Lancaster, João de Gant, foi irmão do primeiro Duque de York, Edmundo de Langley, uma vez que ambos eram filhos do Rei da Inglaterra Eduardo III Plantageneta e de sua esposa, a Rainha Filipa de Hainault. Ambas as rosas, a vermelha e a branca, lutaram por décadas na que ficou conhecida como “Guerra das Rosas”, em que Lancaster e York brigaram pelo Trono da Inglaterra.

Brasão da Casa Principesca de Trivulzio-Galli della Val Mesolcina


Outras dinastias também elegeram emblemas heráldicos, e por eles lutaram com todas as forças. Foram os Reis da França quem elegeram como emblema o lírio dourado, mais conhecido na heráldica como Flor-de-Lis. Pelos lírios da Casa da França Santa Joana d’Arc combateu a Giesta dourada, emblema da Casa de Plantageneta (Plantageneta, ou seja, plant genêt em francês, que quer dizer “Planta Giesta”).

Outros emblemas heráldicos despertaram grandes interesses de Cavaleiros e Campeões ao longo dos séculos. Foi a rosa vermelha e dourada, emblema dos Príncipes de Lippe, que se fez sentir ao longo de mil anos de história deste príncipes alemães. Quando os Condes de Schamburg, que eram representados pelo emblema de uma folha de urtiga branca, não tiveram herdeiros, foi a rosa vermelha dos Lippe que assumiu o Condado. Ambos os emblemas se combinaram, formando o peculiar emblema da Casa de Schamburg-Lippe, formado por uma rosa vermelha, posta dentro de uma folha de urtiga branca, utilizada no lugar do complexo brasão de armas destes Príncipes alemães.

Na Itália não faltaram emblemas heráldicos, foram os lírios azuis, emblema dos Farnese, que comandaram a política do Ducado de Parma por três séculos, e somente deram lugar em 1731 aos lírios dourados da Casa de Bourbon.
Também foram os lírios dourados da França que reinaram sobre o Reino das Duas Sicílias. Estes lírios foram os donos da vontade política de mais da metade da Itália por quase três séculos, onde a cultura, o iluminismo e o despotismo esclarecido reinaram mais do que os próprios Reis.

O emblema heráldico da Casa de Trivulzio-Galli foi muito utilizado, uma vez que o brasão desta Casa Principesca foi um dos mais complexos da Europa. Mas qual a origem de tão famosa imagem?

A Casa de Trivulzio-Galli surgiu da união de duas famílias Principescas. A Casa de Trivulzio, surgida na Bélgica antes do ano 1000, que ocupou a cidade italiana de Trivulza ainda no ano de 1150, e dai tomou seu nome, e da Casa de Galli, última linha varonil descendente diretamente do Imperador Carlos Magno, vez que descendiam de Bernardo I, Rei da Itália, através de seus netos, os Condes de Vermandois. Em 1280 chegaram à Itália, e ocuparam o Castello dei Galli, em Florença, e daí tomaram seu nome familiar.


Somente em 1650, com o casamento entre o Príncipe Tolomeo III da Casa de Galli, Duque Soberano de Alvito, com a Princesa Ottavia Trivulzio, filha do Príncipe Gian Giacomo III Trivulzio, Príncipe de Mesolcina, e da Princesa Giovanna Maria Grimaldi, filha do Príncipe Hércules I de Mônaco. Prevendo que a Casa de Trivulzio ficaria sem herdeiros, o Príncipe Antônio I Trivulzio cedeu em 1680 seus direitos dinásticos para seu primo o Príncipe Antônio Galli, segundogênito do casamento entre Ottavia Trivulzio e do Duque Soberano Tolomeo III Galli. A única exigência do Príncipe Antônio I foi que Antônio II adotasse o nome a as armas da Casa de Trivulzio. Nascia assim a Casa de Trivulzio-Galli.     

Mas mesmo assim fica a pergunta, qual a origem da rosa dourada com pétalas verdes, símbolo da Casa Principesca? A Casa de Galli, como continuadora da Dinastia Carolíngia, tinha por emblema o lírio dourado da França, porém também utilizava o emblema do leão dourado.


Armas dos Trivulzio, com o colar da Ordem Trivulziana de São Miguel e a Coroa antiga do Principado de Mesolcina
A Casa de Trivulzio tinha por armas um escudo palado (feito de faixas horizontais) em ouro e sinopla (amarelo e verde). Conta a lenda que Gian Giacomo II Trivulzio, O Grande, Margrave de Vigevano e Conde de Melzo, Comandante Militar de todo o exército do Rei da França, logo após conquistar o Feudo de Mesolcina das mãos dos Condes de Sax-Misox, em 1480, colocou o Principado abaixo da Proteção da Virgem Maria Santíssima. Logo após o oferecimento, estando o Príncipe sobre o Monte de Vogelhorn, chamado em italiano de “Pizzo Uccello”, lhe apareceu o Arcanjo São Miguel, e, tomando o escudo do Príncipe, fez brotar dele uma rosa nas cores do escudo, ou seja, uma rosa de pétalas amarelas, e folhas verdes.


Gian Giacomo II, descendo do Monte de Vogelhorn, ofereceu a rosa que recebeu do Arcanjo a Virgem Maria, e fundou a Ordem Trivulziana de São Miguel, para recordar sempre o grande feito da aparição do Arcanjo, e da tomada do Vale de Mesolcina pela Casa de Trivulzio.

Os Príncipes de Mesolcina adoraram então a rosa dourada e verde como emblema heráldico, que até hoje é mantido pelos Trivulzio-Galli.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Vaias, xingamentos, rainhas



Por Cora Rónai


O assunto já parecia esgotado, mas não: agora começo a receber pedidos de assinaturas em manifestos de desagravo e de apoio à d. Dilma, como se os xingamentos que recebeu na abertura da Copa fossem algo nunca ouvido. “Não porque ela é a presidente. Nem porque é do PT. Nem precisa gostar dela ou do PT. É porque uma senhora deve ser respeitada. Imagino que todos tenham mãe, irmãs, esposas ou mulheres próximas que não gostariam que fossem xingadas” escreveu uma amiga ao me encaminhar o terceiro pedido que recebi em menos de dois dias.
Ela está enganada. Como tanta gente já observou, não há figuras mais desrespeitadas em estádios do que as mães, e não é de ontem. Mas nunca, jamais, ninguém propôs um manifesto a favor das mães dos juízes, todas, suponho, senhoras de certa idade. Os manifestos estão surgindo exatamente porque Dilma é a presidente, porque é do PT (que sempre foi especialista em agitprop) e, sobretudo, porque estamos em ano eleitoral, e o partido ainda vai fazer o que puder para explorar politicamente o episódio. Como, aliás, faria qualquer outro partido — embora, mais uma vez, os petistas estejam forçando a mão na odiosa divisão de classes e raças que tem sido a sua marca registrada, ricos versus pobres, eles contra nós, cronópios e famas.
A verdade, porém, é que há mais do que uma eventual insatisfação com o governo por trás dos xingamentos dirigidos à presidente: o país vive uma era de boçalidade sem precedentes. Os piores palavrões viraram ponto de exclamação e são usados rotineiramente em alto e bom som nas ruas por homens e mulheres, passando por tudo aquilo a que, antigamente, se chamava de “arco da sociedade”.
A grosseria não é exclusividade de nenhuma classe. Está faltando educação, em todos os sentidos, a todos. Muita educação! As pessoas que xingaram a presidente apenas usaram, no estádio, as maneiras e palavras que usam, ou veem ser usadas, no seu dia a dia. Sejam “elite branca” (expressão que virou modinha sem que seus usuários percebam o quão asquerosamente é racista) ou qualquer outra parcela da população.
Este, infelizmente, é o país que temos.
o O o
E, por falar em rainha, a Copa do Mundo abriu gentilmente um espacinho no noticiário de sábado, na Inglaterra, para as comemorações do aniversário da Rainha Elizabeth II. O que nos velhos tempos parecia conservadorismo anacrônico, assenta-lhe muito bem aos 88 anos. Além de fofa, a véinha é um show de classe e de resistência. E o Duque seu marido, aos 93, não fica atrás: desfilou em carro aberto com um adereço de cabeça imenso, ridículo e ecologicamente incorreto, que deve pesar uma tonelada. Mais tarde, no balcão, fazia bela figura em jaqueta vermelha, alto, desempenado, costas retas, [...]
Penso nele e na Rainha como atletas master de uma categoria esportiva exótica e dispendiosa, na essência não muito diferentes da Mamãe e dos seus colegas de natação na galhardia com que enfrentam o passar do tempo. É lógico que reis vivem num mundo de privilégio que sequer concebemos, mas passar por tanta produção e se apresentar com tal esmero nessa avançada idade, chova ou faça sol, sendo filmados e fotografados sem tréguas, não é para amadores; e, no entanto, eles calçam aquelas botas e saltos, vestem aquelas roupas e chapéus incômodos, luvas, jóias e medalhas e seguem em frente, impávidos, saudando os súditos, acenando, eventualmente sorrindo, aguentando discursos e criancinhas.
Aliás, para mim, que não sou inglesa e não preciso pagar pelo espetáculo, nada no mundo se compara à família real britânica em termos de reality show. O elenco é enorme e bizarro, há romance, intrigas palacianas, gente de todas as idades, figurinos incongruentes e deslumbrantes, bandas de música, referências históricas, acrobacia aérea, cavalos aos montes — enfim, de tudo um muito, para agradar a todos.
(O Globo, Segundo Caderno, 19.6.2014)