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quarta-feira, 14 de março de 2018

A Ciência Heráldica e as Escolas Heráldicas / Heraldic Science and Heraldic Schools

Brasão dos Trivulzio, Príncipes de Mesolcina, claro exemplo da escola heráldica centro-europeia

Como bem sabemos a Heráldica é uma Ciência, e como toda Ciência, é naturalmente UNIVERSAL. E, como universal que é, a Ciência Heráldica, também chamada de Parassematografia, possui Leis que valem em todas as partes do mundo onde a heráldica é estudada. Recordo-me que em 2009 comecei a escrever um livro/manual sobre heráldica, e logo no primeiro capítulo descrevi as Leis (universais) da Heráldica, que são:

1ª Lei (chamada de "Regra de Ouro"):
Não se coloca metal sobre metal, esmalte sobre esmalte ou pele sobre pele

2ª Lei:
Não há tonalidade diferente de uma mesma cor: logo, não há sombreamento na Cota d'Armas, bem como não há ideia de profundidade nas peças do escudo (tentar passar uma "ilusão 3D")

3ª Lei:
Figuras naturais, ou quiméricas, quando sozinhas, devem ocupar o centro do escudo, sem tocar os bordos

4ª Lei:
Quando se repetir muitas vezes a mesma peça móvel ou figura, todas pousadas sobre o mesmo campo, estas deverão ter o mesmo tamanho e ser do mesmo metal ou esmalte, desde que sejam elas repetidas sem alteração.

5ª Lei:
As peças honrosas devem ser colocadas no lugar que as compete

6ª Lei:
Um brasão deve ser regular, simples e completo, e desta forma, por ser regular, não é permitido a apropriação de um brasão por quem dele não é dono, ou mesmo a utilização de Armas semelhantes, com a intenção de confundir.

Estas Leis acima vistas são universais, assim heraldistas do mundo todo são obrigados a segui-las, uma vez que são próprias da Ciência Heráldica. 

Brasão dos Condes de Bressler

Brasão do Conde de Itaguhy

Todavia, se todos os heraldistas do mundo são obrigados a seguir as Leis da Heráldica, como é possível que hajam brasões com estilos tão diferentes? Esses dois brasões visto acima são exemplos claros dessa diferença: se a Heráldica é uma Ciência Universal, como podem haver nela brasões tão distintos? 

Isso é possível pois, apesar da Heráldica ser Universal, como toda ciência, desenvolveram-se diversas ESCOLAS para o estudo dessa Ciência, sendo que cada país ou região desenvolveram suas próprias Escolas Heráldicas, e tais Escolas, com todo o direito, criaram o estilo próprio para blasonar. Se a Ciência Heráldica desenvolveu suas Leis, as Escolas Heráldicas criaram suas Regras Heráldicas, não universais (como as Leis), porém que devem ser aplicadas no local do uso daquela determinada Escola Heráldica.

As Leis da Heráldica mantiveram-se universais, todavia, tudo o que não for estritamente estipulado pelas Leis da Heráldica, passou-se a ser desenvolvido pelos Estilos Heráldicos de cada uma das Escolas.  O primeiro brasão visto acima, pertence aos Condes de Bressler, desenvolvido pela Escola Heráldica alemã, já o segundo é do Conde de Itaguahy, desenvolvido pela Escola Heráldica brasileira. Mas então o número de elmos não é "fixo"? A resposta é não. Entre as Leis da Heráldica não afirma-se o número de elmos que um brasão pode ter, todavia, as Escolas Heráldicas, por meio de suas Regras criaram um costume próprio em cada região.

Assim, como bem trazido na 1ª Edição da Revista do Stemmario Trivulziano (2015) (que recomendamos vivamente a leitura), as diferenças na utilização do elmo, nas diversas escolas heráldicas, é das mais características. Se nas escolas heráldicas ibero-brasileira apenas utiliza-se um único elmo, na escola heráldica centro-européia, que abrange países antes parte do Sacro Império Romano-Germânico, como Alemanha, Áustria, Suíça e Norte da Itália, o número de elmos varia muito dos direitos Dinásticos do armigerante, podendo variar de apenas um, ou a números altos, como 9 ou mesmo mais!

Brasão do Barão de São Luís

Brasão de Francisco de Vasconcelos Monteiro de Lima


E mesmo escolas heráldicas que compartilham uma mesma raiz, como é claramente a portuguesa e a brasileira, podem, com o tempo, desenvolverem Regras heráldicas próprias. Até 1822, o Brasil seguia a escola heráldica lusitana, porém com a Independência do Brasil do então Reino-Unido de Portugal, Brasil e Algarves, começou-se no Brasil a desenvolver uma heráldica de gosto mais próprio, com elementos naturais nas Cotas d'Armas, e mesmo sobre a utilização ou não dos elmos, tornaram-se próprias da escola heráldica brasileira, que passou muito a ser influenciada pela escola heráldica francesa com o advento do Reinado do Imperador Dom Pedro II.  

Continua... 

Para ter acesso a Revista do Stemmario Trivulziano, clique aqui:

Andre Prinz von Trivulzio-Galli, 14º Príncipe de Mesolcina e do Sacro Império Romano-Germânico 
O autor é especialista e consultor em heráldica e genealogia, bem como autor e ensaísta. Contato: casademesolcina@gmail.com  

Para citação no Brasil (ABNT), usar:
PRINZ VON TRIVULZIO-GALLI, Andre. A Ciência Heráldica e as Escolas Heráldicas, Blog de Cavalaria. 2018. Disponível em: http://www.blogdecavalaria.com/2018/03/a-ciencia-heraldica-e-as-escolas.html acessado em (especificar a data do acesso ao site).

sábado, 3 de março de 2018

Heráldica Oriental, parte 1 / Oriental heraldry, part 1



Os Fieis Leitores do Blog de Cavalaria bem sabem que a temática heráldica é, juntamente com a genealogia e a história, a temática-base do Blog de Cavalaria. Desta forma já falamos exaustivamente sobre as diversas Escolas Heráldicas da grande Ciência Heráldica, Ciência nascida no Ocidente, em um período que não sabemos precisar exatamente qual foi. 

O mon utilizado pela Casa Imperial Japonesa (Clã Yamato), representando uma flor de crisântemo de 16 pétalas.


Hoje, todavia, falaremos de uma manifestação heráldica própria, que desenvolveu-se no Oriente, na primeira postagem de uma série de textos que falaremos acerca da heráldica e da nobreza no mundo do Extremo Oriente. E para iniciarmos nosso primeiro texto, falaremos sobre os Mon ( ), que são emblemas japoneses que, muito semelhante aos brasões europeus, sempre tiveram a função de designar as famílias que os portavam.

Ainda no século XII, as fontes são claras ao afirmar que os mon já eram utilizados para distinguir o seu portador, tento em vestimentas, casas, como no campo de batalha. Inicialmente os mon, assim como os brasões europeus, eram utilizados apenas por famílias da aristocracia, porém em curto espaço de tempo, tornou-se comum que qualquer indivíduo ou família pudesse adotar um mon para si, que depois poderia ser utilizado pelos seus descendentes. 

Diversos tipos de mon (clique para ampliar)


Diferente do que ocorreu com a heráldica européia, no Império Japonês nunca houve qualquer lei especial para regular o uso dos mon ou ainda o seu registro. Em caso de mais de uma família utilizarem o mesmo mon, o costume foi que a família em menor posição deveria modificar o seu mon para não ofender a família mais bem colocada. 

Não existem regras para definir o projeto de um mon, embora eles sejam sempre redondos, e a maioria deles é posta dentro de um círculo perfeito. Diferente de um brasão, um mon não possui cores, e desta forma, pode ser colorizado em qualquer cor, desde que esta seja um padrão monocromático. 

Diversos tipos de mon (clique para ampliar)

O mon que representa a Família Imperial Japonesa é composto por um crisântemo de 16 pétalas, e este é geralmente apresentado em cor d'ourada. No Ocidente, o mon  do Imperador do Japão é geralmente apresentado em forma de brasão, quando então é utilizado sobre um campo de goles, com a flor de crisântemo (seguindo o modelo do mon) representada em ouro. 

Apesar de não existir um sistema de cadências, as linhagens geralmente diferencial o mon original da família, ou do clã, para que cada ramo cadete possa ter um mon próprio
Mon "cadenciados"


Os mon podem ser feitos seguindo um padrão que geralmente é uma flor, uma folhagem, um animal (mitológico ou real), uma construção ou uma paisagem, sendo que, dependente de quais elementos utilizados, os mon podem ser divididos em "categorias". Uma compilação de mon compilou 241 categorias gerais de mon no Japão (um único mon pode pertencer a apenas uma a ou a várias categorias, dependente dos elementos utilizados), com aproximadamente 5.116 mon individual, alguns pertencentes a clãs inteiros, outros a linhagens ou famílias individuais, todavia, sabe-se agora de uma grande série de mon que não estão listados nessa compilação. 

Diversos mon agrupados em "categorias", conforme os elementos do desenho


Modernamente, praticamente toda e qualquer família japonesa possui um mon (diferente portado dos brasões, que ainda hoje são restritos àquelas famílias que receberam um), e nos eventos onde o uso de um mon é socialmente requerido, como em um casamento ou enterro, o mon  da família pode ser pesquisado em diversos locais, como, por exemplo, no templo da cidade de onde provém a família, já que, os templos, no Japão, sempre foram locais onde os mon foram guardados e mantidos, ou mesmo em lojas especializadas em casamentos e festas, que realizam a pesquisa do mon da família. 

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Fonte de Inspiração / Source of inspiration



Estimados e Fieis Leitores do Blog de Cavalaria, sempre foi tido pelos autores a realidade de que a tristeza ou a agonia, fossem uma grande fonte de inspiração para a escrita, e de fato, tomando a mim mesmo como exemplo, os textos mais lidos e comentados do Blog de Cavalaria, foram escritos por mim em momentos que não estava exatamente "feliz"... todavia esse ano iniciou excepcionalmente bom para mim, e terei de usar a felicidade como fonte de inspiração. 

Como muito bem disse o grande poeta brasileiro Vinícius de Morais, famoso por escrever lindamente, principalmente em períodos de tristeza profunda:

Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...
(Vinícius de Morais)

Conheci, eu mesmo, grandes blogueiros, que mantinham blog's pessoais altamente lidos, e cujos textos beiravam a excelência, todavia, sabia bem que apenas escreviam quando estavam desiludidos com a vida, tristes ou apáticos, e que depois que começaram um período feliz em suas vidas, a primeira coisa que abandonaram foi a vida como escritores, como se a vida de escritor e a vida feliz, fossem temas totalmente estanques...

Todavia, doravante, sei que quando eu não escrever exatamente "feliz", tenho certeza que meus próximos textos não o serão escritos em períodos de tristeza ou de apatia... espero que, esta nova fonte de inspiração seja bem quista pelos meus Fieis Leitores. Fui recentemente questionado, se "felicidade tem nome?", bem, não sei a felicidade de cada um, mas acho que a minha tem... 

Sempre que o sol
Pinta de anil
Todo o céu
O Girassol
Fica um gentil
Carrossel.

O Girassol é o carrossel das abelhas.
Pretas e vermelhas
Ali ficam elas
Brincando, fedelhas
Nas pétalas amarelas.

— “Roda, roda, carrossel
Gira, gira, Girassol
Redondinho como o céu
Amarelinho como o sol.”
(Vinícius de Morais)

domingo, 21 de janeiro de 2018

Blog de Cavalaria : Chivalry Blog



Depois de 7 anos, de 200 mil Leitores e milhares de milhares de acessos, o Blog de Cavalaria percebeu uma mudança comportamental em seus Fieis Leitores, principalmente no tocante a origem dos acessos.

Apesar de ser um Blog escrito 100% em português, há pelo menos 4 anos, mais da metade dos acessos a este site vem de Leitores americanos. E esse número vem aumentado nos últimos tempos, sendo que, de 2016 para cá, 2/3 dos acessos a este site são de leitores de língua inglesa.



Desta forma, com o site escrito em português, os leitores passaram a fazer uso de tradutores online para terem acesso ao conteúdo, o que nem sempre gera traduções exatas, e por isso, o e-mail vinculado a este blog (para escrever para a redação do site, escreva para: casademesolcina@gmail.com) passou a receber sempre numerosos email's pedindo explicações sobre postagens específicas, ou, muitas vezes, sobre o nome do site em si: "Blog de Cavalaria", que em inglês traduz-se como "Chivalry Blog", ou seja, é o site que trata sobre os assuntos Cavalheirescos, quer seja sobre as Ordens de Cavalaria, a Heráldica, à Nobreza, a história e a genealogia. 

Por isso mesmo, para sanar essas dúvidas corriqueiras, decidimos agora traduzir o cabeçalho e o título do site, que doravante serão vinculados em duas línguas: inglês, por ser a língua da maioria dos acessos; e português, por ser a língua em que o site é escrito. 

Atenciosamente:

Andre Prinz von Trivulzio-Galli


quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Imprese Araldiche e Emblemas Heráldicos: qual a diferença? Heraldic Imprese and Heraldic Badges: what's the difference?

Iniciaremos o ano de 2018 no Blog de Cavalaria com um tema heráldico pouco lembrado na atualidade, porém que já foi de grande importância na heráldica pós-Medieval: as Imprese araldiche. 


O que são:


Uma impresa araldica (plural: imprese araldiche) é um símbolo que pode ser pessoal quando criado especificamente para um indivíduo, e apenas para ele faz sentido, ou pode ser familiar, quando é idealizado com elementos comuns e importantes para toda uma linhagem. Uma impresa é composta essencialmente por duas partes, por um corpo e por uma alma. O corpo da impresa é o desenho em si, e a alma é o lema que o acompanha, e que nunca deve ser escrito na língua materna do portador. 

A impresa sempre faz sentido para o seu proprietário, que a idealiza como forma de imortalizar um sentimento ou recordação, quer ela seja boa ou má, mas que deva ser lembrada. O corpo e a alma da imprese muitas vezes se completam, e auxiliam entre si a contarem uma história que, caso não seja registrada durante a vida do proprietário, correm o risco de tornarem-se misteriosas após a morte do mesmo. 

Impresa araldica dita "della Colomba", utilizada no Castelo da Rocca di Vignola, pertecente ao Príncipes de Boncompagni-Ludovisi


Já um emblema heráldico é uma peça heráldica que, tal qual uma Cota d'Armas, é criado por um Passavante-de-Armas abaixo a autoridade de um Rei-de-Armas, pertencente a um Tribunal Heráldico, subordinado a uma Casa Soberana, Reinante ou ex-Reinante (que é a única autoridade heráldica capaz de conceder uma Cota d'Armas). Tal qual um brasão, um emblema heráldico (que em inglês chama-se "Badge") deve obedecer as Leis e Regras da Heráldica, sendo, muitas vezes, concedido junto da Cota d'Armas do Armigerante. 

Diferente de uma impresa, um emblema serve para identificar seu portador, e desta forma é criado tendo por base os usos heráldicos da linhagem. A grande maioria dos emblemas possui apenas o desenho, sendo representado sem qualquer lema.

Emblema heráldico da Casa de Tudor, composto por uma rosa branca e vermelha (antigos emblemas das Casas de York e de Lancaster)


Quanto aos usos:


Uma impresa, quando pessoal, é usada exclusivamente por seu proprietário, já que apenas para ele faz sentido. Foram usadas quase sempre para aumentar o prazer visual do proprietário da mesma, assim tornou-se comum o uso das imprese na decoração e na arquitetura. 

Salão da Rocca de Vignola (clique para aumentar), onde as paredes são todas decoradas com a "impresa della colomba", vista acima

Por sua vez um emblema é utilizado para a identificação, principalmente daqueles que não possuem o direito as Armas em si mesmas. Assim, enquanto apenas à Rainha do Reino-Unido possui o direito ao uso das Armas Reais do Reino-Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, seus servidores são identificados pela utilização do Emblema do Reino-Unido

Um Beefeater, Guarda do Torre de Londres, que por não ter o direito ao uso do Brasão d'Armas da Rainha, usa em seu fardão o Emblema do Reino Unido.

Algumas impresas araldicas da Casa Principesca de Mesolcina


Impresa da "Madonna col Bambino", formada por uma imagem da Beatíssima Virgem Maria, ajoelhada em oração diante do Menino Jesus, tendo por alma "Quem Genuit Adorat", utilizada por Gian Giacomo II, Il Magno Trivulzio.
Impresa "da Roseira", composta por uma roseira com duas rosas floridas em matizado vermelho-branco, com a alma "Gaudium Meum", pertencente a Princesa Rosa Boni Trivulzio-Galli, Princesa Consorte de Mesolcina

Imprese dita "das penas brancas" composta por três penas brancas postas dentro de uma Coroa Principesca aberta, e tendo por lema "Qui ne vit pas por servir, ne ser pas a vivre", que pertence a SA.S. o Príncipe Angelo II Trivulzio-Galli, 13º Príncipe de Mesolcina.

Imprese dita "da Rosa de Mesolcina", composta pela rosa de cinco pétalas de ouro com botão e folhas verdes (Rosa Trivulziana, ou Rosa de Mesolcina), com a alma "Magna Faciamus" (Façamos a grandeza) de S.A.S. o Príncipe Andre III Trivulzio-Galli, 14º Príncipe de Mesolcina

Impresa dita "do Medalhão", composta por um medalhão de ouro oval, tendo nele um braço armado do mesmo, empunhando uma espada de ouro, e tendo a alma "Maintenir Fermement", de S.A.S. o Príncipe Vergínio I Trivulzio-Galli, 12º Príncipe de Mesolcina.

Emblema dito "do anel acorrentado", composto por um anel de ouro com pedra verde, posto acorrentado por uma cadena de ouro, e com a alma "Sans sortie", utilizado pela Princesa Adélia Berti Trivulzio-Galli, Princesa Consorte de Mesolcina.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

2017: 12 anos de Andre Prinz von Trivulzio-Galli como "Blogueiro"


Neste Novembro comemoro os meus 12 anos como escritor de Blog... sim, Fiel Leitor, há 12 anos o autor dessas linhas se dedica a tornar as vossas vidas mais cultas, e portanto, muito mais aburridas como dizem nossos amigos espanhóis. 

O Blog de Cavalaria fora criado em 10 de agosto de 2011, há 6 anos portanto, porém os meus mais Fieis Leitores irão se recordar do saudoso e já extinto Blog Linhagens e Brasões, blog que havia sido criado em um outro 15 de novembro, há 12 anos... Para os meus tantos leitores de fora do Brasil, a data de 15 de novembro é feriado nacional no Brasil, pois é o dia em que se recorda a fatídica proclamação da república, que infelizmente até hoje rege nosso destino político... Como é sabido, sou Monarquista "por Cálculo Patriótico", como bem dizia o Visconde de Taunay, e desta forma, aquele meu dia 15 de novembro de 2005 estava sendo absolutamente entediante e sem o menor sentido.



Ser Monarquista em 2005 era algo muito difícil, pois pouquíssimas pessoas no Brasil sabiam algo sobre a Monarquia pós século XIX, e muitos confundiam a história da Monarquia Constitucional Brasileira (1822-1889) com a história do Brasil monárquico enquanto Estado Ultramarino Português (1500-1822); e desta forma, dizer em 2005 que se acreditava na Monarquia como uma alternativa para o Brasil, era o mesmo que dizer que se acreditava em extraterrestres... 

Decidi então criar um Blog, o que, naquele tempo, era visto como quase subversivo, vez que a internet no Brasil, em 2005, era uma terra quase inexplorada (em 2005 eu era Seminarista, e só pude criar o meu primeiro Blog utilizando "clandestinamente" o computador da Biblioteca do Seminário, o único com acesso à rede naquele tempo...). Chamei o Blog de Linhagens e Brasões, e minha primeira postagem foi, justamente, em defesa da história da Monarquia Brasileira.

Para quem não se recorda, esse era o som da internet discada (que infelizmente, durou muito no Brasil...)

Como o próprio nome daquele Blog mostrava, àquela página falaria acerca dos dois assuntos que mais me interessavam: a heráldica e a história das linhagens da Nobreza. As postagens iniciaram-se semanais (embora, com o passar dos anos tornaram-se menos frequentes...), e recordo-me da minha alegria quando, ao final do primeiro mês o Blog teve 2 mil acessos. Em um tempo em que a internet era, em maioria discada (para os Leitores que estão lendo essa postagem traduzida pelos motores de busca, estou dizendo que no ano de 2005 a internet no Brasil era, quase toda [se não toda] dial-up internet access), esse número era realmente bastante alto, e no final do segundo ano, a média de acessos era de 5 mil acessos em média mensal. Neste período o ato de ter o Blog já era motivo de pleno espanto, e até mesmo gerava certa desconfiança no interlocutor, pois, se imaginava que tudo o que se falava com um autor de Blog, poderia virar "postagem". Foi nessa época que criou-se o título "Blogueiro", hoje quase em desuso, mas que tinha um enorme peso naquele tempo... 



O bom e velho Blog Linhagens e Brasões teve sua última postagem no início de 2011, quando, por um problema que levei anos para resolver, perdi o acesso ao e-mail que me dava acesso à plataforma no Blogger, e, em um tempo em que ainda não existiam contas interligadas, perder uma senha e não conseguir recuperá-la, era coisa bastante grave... 

Para os que se recordam: a imagem de fundo e do cabeçalho do
extinto Blog Linhagens e Brasões


Fiquei realmente bastante triste, pois havia perdido um Blog com quase 250 inscritos, que havia recebido quase 450 mil acessos, o que era um número bastante satisfatório. Passei quase o ano de 2011 inteiro tentando recuperar a minha senha, porém sem o acesso ao e-mail usado para criar aquela conta, isso era impossível. Estava decidido a não mais escrever em Blog's, até que, incentivado por um amigo blogueiro espanhol, decidi criar um novo Blog, o chamei então de Blog de Cavalaria


Com o Blog de Cavalaria, além da heráldica e história falaria acerca das diversas Ordens de Cavalaria, algo que manteve-se como a base, os três pilares editoriais que mantiveram-se até hoje, neste vosso entediante Blog de Cavalaria. 

Mais tarde, em 2013, contando com o auxílio de um técnico do laboratório de informática da Faculdade de Direito onde estudava, consegui recuperar a minha antiga conta, e pude finalmente reaver o domínio do Blog Linhagens e Brasões; todavia, em 2013 o Blog de Cavalaria já era consolidado, com um bom número de inscritos e acessos constantes. Pude ver que seria quase impossível recuperar o velho público que acessava o Linhagens e Brasões, após quase 3 anos sem postagens, e decidi finalmente deletar o antigo Blog, afinal, seria um "concorrente" a menos para o Blog de Cavalaria, todavia, aproveitei para relançar as postagens mais acessadas daquele antigo Blog, nesse novo, o que foi algo muito bom, pois assim vários dos antigos Leitores puderam encontrar minha nova página.



Mas, ao logo desses 12 anos, poderia perguntar: o que vi da vida? Realmente, tratando-se da vida na web, já vi muito dela, a pude aprender bastante acerca dos costumes de meus Leitores, que por isso são chamados de Fieis Leitores desse Blog de Cavalaria

O país que mais Leitores deu-me (apenas contando o Blog de Cavalaria, e falando em Leitores individuais, ou seja, pessoas que acessaram esta página uma vez, não sendo contadas quantas vezes voltaram com o passar dos anos) foi o Brasil, com quase 42% dos Leitores
Depois vem os Estados Unidos, que colaborou com 31% do Leitores;
Em seguida vem Portugal, que deu-me mais 10% dos Leitores dessa página;
Na sequência Rússia, com 5% dos frequentadores dessa página;
Depois França, que colaborou com 3% dos Leitores;
Na sequência Itália, com mais 3%;
Vindo após a Alemanha, com 2%;
Então a Espanha, com mais 2% de nossos Leitores;
Argentina, com 1%;
e finalmente Ucrânia, com 1%.

Os demais países que deram-me Leitores ao longo desses 6 anos do Blog de Cavalaria não chegaram a "pontuar" para as estatísticas...

O Blog de Cavalaria, criado para sanar a perda do Blog anterior, é um dos últimos sobreviventes dos Blog's criados na chamada "época de ouro" dos Blog's dedicados à Heráldica e Cavalaria. Para quem não se recorda, essa "época de ouro" deu-se nos anos de 2009 a 2012. O Blog que iniciou a "fama" dos Blog's de heráldica em nível internacional foi o já extinto "Blog de Heráldica", magnificamente ativo entre os anos de 2007 a 2012. Os blogs dedicados a esses temas, surgiram então às centenas, principalmente na Espanha (onde desenrolava-se, naquela época, o principal cenário heráldico da internet) mas também em Portugal, Chile, Argentina... O Blog de Cavalaria garantia a presença brasileira nesse cenário, tão refinado e concorrido. Porém tudo mudou com o final repentino do Blog de Heráldica, onde desenrolavam-se as principais discussões e debates entre heraldistas do mundo todo (ter o blog citado no Blog de Heráldica, era sinal de sucesso garantido, e vale-se lembrar que o Blog de Heráldica fez 3 postagens elogiando esse vosso tedioso Blog de Cavalaria), o fim do Blog de Heráldica foi o prelúdio do final da era de interesse massivo pelas artes da heráldica e da cavalaria.

Imagem de capa do magnífico, e infelizmente extinto, Blog de Heráldica

Com o passar de pouco tempo, a maioria dos Blog's criados para expor experiências de heraldistas caíram no quase esquecimento, e muitos deles foram deletados, apagados ou excluídos. Os poucos que restavam "ativos" foram deixando, pouco a pouco, de serem atualizados, até caírem no esquecimento... Atualmente, os blog's surgidos na "era de ouro" (2009 a 2012) são raríssimos, e podem-se contar nos dedos...


Diante de tudo isso, é para mim uma alegria, em mais este Novembro, completar 12 anos como Blogger, e em cada nova matéria (antigamente chamadas de "postagens"), tentar vos passar um pouco mais acerca da heráldica, da história e das Ordens de Cavalaria. Por esses 12 anos, agradeço a todos os meus Fieis Leitores. 

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Brasão de São Carlos Borromeo / Coat of Arms of St. Charles Borromeo

Este é o dia, de fato, muito festivo, e para mim tem um certo gosto familiar, hoje é dia de São Carlos Borromeo.

Pintura de São Carlos Borromeo; ao contrário da maioria das pinturas, São Carlos sempre usou longa barba, durante quase toda a vida, apenas tendo a tirada nos seus últimos oito anos de vida, em sinal de penitência.


São Carlos Borromeo nasceu em Arona, capital do Condado de sua Dinastia, em 02 de outubro de 1538, filho de Giberto II Borromeo-Vitaliani, Conde de Arona, e de Margherita de'Medici, sobrinha do Papa Pio IV. Como filho de um dos homens mais Nobres e ricos da Lombardia, o jovem Carlos foi instruído em Milão, e sua sorte eclesiástica esteve garantida, quando o tio de sua mãe fora eleito Papa.

Pio IV chama seu sobrinho-neto Carlos Borromeo a Roma, onde passa a auxiliar na administração da Igreja. Pio IV tinha como secretário ao Cardeal Tolomeo I Galli, Duque de Alvito, que torna-se muito próximo a São Carlos, a ponto de, mais tarde, casar seu sobrinho-neto, Francesco I Galli, 3º Duque de Alvito, com a sobrinha de São Carlos Borromeo, a Condessa Giustina Borromeo (filha de Renato Borromeo, 9º Conde de Arona, filho, por sua vez, de Giulio Cesare Borromeo, 8º Conde de Arona e da Princesa Margherita Trivulzio, tios de São Carlo Borromeo (por ser Giulio Cesare irmão de Giberto II).

Brasão de São Carlos Borromeo. Arquivo da Casa Principesca de Trivulzio-Galli della Mesolcina.


Por ideia do Cardeal Tolomeo I Galli, São Carlos Borromeo foi feito Arcebispo de Milão, deixando Roma em 1560, passando a governar a Arquidiocese de Milão no mesmo ano, e tornando-se Arcebispo da mesma em 1564.

A fama de São Carlos Borromeo manteve-se sempre associada a sua grande santidade pessoal, e também foi uma fonte inesgotável de prestígio à sua família, que soube usar do exemplo desse grande Santo, para firmar-se entre uma das mais ilustres da Europa. 

Para finalizar essa postagem, como não poderia ser diferente, a encerro com o brasão de São Carlos Borromeo, magnificamente blasonado pelo heraldista e Rei-de-Armas da Casa Principesca de Mesolcina Paulo Roberto de Sousa Fernandes, Conde de Colle d'Agnese, que o fez de forma magistral, tendo por base as imagens do brasão de São Carlos, guardadas nos arquivos da Casa Principesca de Trivulzio-Galli della Mesolcina:

Recriação heráldica, plenamente fidedigna, do brasão de São Carlos Borromeo. Desenho de Paulo Roberto de Sousa Fernandes, Conde de Colle d'Agnese.
O Brasão de São Carlos Borromeo combina os brasões dos Medici, família da mãe de São Carlos, com o dos Borromeo-Vitaliani, família de seu pai, juntamente com o lema pessoal de São Carlos "Humilitas".